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Na contramão das exportações, que enfrentam dificuldades, setor consegue manter aumento de vendas ao exterior graças à demanda da China e ao crescimento da produção nacional

Brasil Econômico

No sentido oposto do desempenho geral das exportações brasileiras, as vendas externas de celulose têm trazido boas notícias aos produtores e exportadores nestes primeiros meses de 2013. Esse círculo virtuoso é reflexo de uma série de fatores. Entre os que mais se destacam está a coincidência do movimento de aumento da capacidade produtiva brasileira - com a entrada em funcionamento de uma grande planta de celulose, a Eldorado - ao mesmo tempo em que cresce a demanda chinesa pela fibra e outros países, como a Noruega, encerram linhas de produção, reduzindo a oferta.

Florestas de eucaliptos no Sul da Bahia: Produção voltada principalmente à China
AE
Florestas de eucaliptos no Sul da Bahia: Produção voltada principalmente à China

O fechamento dessas plantas de celulose em outros países também tem contribuído para manter em alta o preço da fibra. Há expectativa de queda no valor, contudo, a partir do fim do ano, quando deve entrar em operação uma nova fábrica da Suzano, que está sendo construída no Maranhão. Além disso, a chilena CMPC está ampliando sua fábrica no Rio Grande do Sul, com uma nova linha de celulose de eucalipto de 1,3 milhão de toneladas, esperada para 2015, e também pode contribuir para o aumento da oferta e, consequentemente, para a redução do preço da celulose.

“A entrada da Eldorado no mercado fez grande diferença para o desempenho brasileiro em celulose, porque o país passou a contar com maior volume a ser exportado. E as forças motoras chinesas devem continuar sustentando essa demanda global em alta, porque eles estão num processo contínuo para melhorar seus padrões de saúde e educação. Esse movimento tem impacto direto no consumo de papel e na produção mundial de sua matéria prima, a celulose”, diz Manoel Neves, gerente de estudos econômicos da Pöyry, multinacional finlandesa de consultoria e serviços de engenharia.

No fim do ano passado, a Eldorado Brasil Celulose inaugurou sua primeira fábrica em Três Lagoas (MS), com capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas da fibra por ano. O empreendimento marcou a entrada da holding J&F, controladora do frigorífico JBS, no mercado de celulose. Segundo informações da própria Eldorado, o aumento da demanda global é calculado considerando que, a cada dois anos, esse mercado necessita uma produção adicional de 1,5 milhão de toneladas de celulose. E o Brasil tem vocação natural para atender a essa demanda, segundo o presidente da empresa, José Carlos Grubisich. “Nosso país detém uma das tecnologias mais avançadas e competitivas do mundo para produção da celulose de fibra curta e plantio de florestas de eucalipto”, diz Grubisich, em nota.

Crise europeia ainda preocupa

Estudo da consultoria LCA ressalta que, em relação à demanda global por celulose, embora a previsão seja de crescimento para China e Estados Unidos, a relevância da Europa nas exportações brasileiras e o persistente quadro de crise permanecem como ameaça para o desempenho do setor. A demanda continua alta mas, conforme aponta a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), o principal comprador brasileiro, a Europa, teve retração no primeiro quadrimestre. Foi o crescimento das compras pela China que sustentou o desempenho positivo. De janeiro a abril de 2013, enquanto a China registrou aumento de 18,9% nas compras da celulose brasileira, o mercado europeu reduziu suas compras em 8,9% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Para o desempenho dos preços, contudo, as estimativas são positivas. Há expectativa de que os preços da tonelada da celulose mantenham uma trajetória de crescimento moderado neste ano, fechando a temporada a US$ 783 por tonelada em média, segundo cálculo da consultoria LCA. Se confirmada a expectativa, o valor representaria um aumento de 4,2% sobre o valor obtido em 2012. Os preços devem chegar a US$ 900 a tonelada para a América do Norte, US$ 850 para Europa e US$ 750 para a Ásia. “Esperamos que os preços continuem com crescimento moderado neste ano. Parte da pressão negativa gerada pelas inaugurações previstas de plantas será atenuada pelo fechamento de fábricas antigas”, informou a consultoria.

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