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Novos preços entram em vigor nesta quarta-feira; alta nas bombas deve ser de cerca de 4,2%

Os preços da gasolina A nas refinarias terão reajuste de 6,6% e os do diesel subirão 5,4% a partir de quarta-feira, informou a Petrobras nesta terça-feira. Os reajustes deverão ser repassados aos consumidores, mas não integralmente.

"O impacto na bomba é menor, é amortecido pela mistura de biocombustíveis, no caso da gasolina, o álcool, e no caso do diesel, o biodiesel", afirmou à Reuters o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alisio Vaz.

A gasolina recebe atualmente uma mistura de 20% de etanol, enquanto a do biodiesel no diesel é de 5%. Como um decreto deve elevar para 25% essa mistura, o aumento nos postos deve ser diluído e ficar em torno de 4,2% (veja mais abaixo).

Ele disse ainda que o impacto do aumento pode ser amenizado por eventuais mudanças nas margens de distribuição e comercialização de cada distribuidora.

Segundo ele, cada distribuidora pode mexer em sua margem para repassar esse valor em um percentual maior ou menor, e por isso é difícil calcular qual será o nível repasse de preço.

"Um aumento de reajuste na refinaria normalmente não chega nos mesmo percentuais aos postos. Normalmente, são ligeiramente inferiores", afirmou ele.

"Esse reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da Companhia, que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazo", afirmou a companhia em nota.

De acordo com a estatal, os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais CIDE e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS.

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Aumento menor no posto

O economista e sócio da Tendências Consultoria, Juan Jensen, afirmou à Agência Estado que o aumento da gasolina, de 6,6% na refinaria será equivalente a uma elevação de 4,2% na bomba dos postos. Como o peso da gasolina dentro do IPCA é de 3,89%, isso deve provocar um impacto total na inflação de 0,16 ponto porcentual.

"Dado que o aumento vale a partir da zero hora do dia 30, o impacto será assim distribuído: 0,01 ponto porcentual em janeiro e 0,15 ponto porcentual em fevereiro", afirmou Jensen.

De acordo com esses novos números, é provável que as projeções da Tendências para o IPCA de janeiro e fevereiro sejam alteradas. A consultoria estimava uma alta do índice de 0,86% neste mês, que poderá subir para 0,87%.

Para fevereiro, Jensen avalia que a projeção de 0,02% de alta para o IPCA para algo próximo a 0,17%. "O aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobras é correto, pois visa corrigir defasagens antigas dos preços internos", afirmou o economista.

* Com AE e Reuters