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Entidade prevê crescimento médio de 3% para indústria de transformação no ano que vem

Após observar desempenho negativo e o encolhimento da indústria neste ano, a Federação das Indústrias do Estado de são Paulo (Fiesp) espera a “reindustrialização” do país a partir do próximo ano.

Segundo a entidade, o motivo para o “otimismo” são os efeitos esperados já em janeiro próximo de medidas lançadas pelo governo durante o ano, como redução da taxa Selic, corte das tarifas de energia elétrica, programas de concessão em infraestrutura — rodovias, ferrovias, portos e aeroportos — e, mais recentemente, a desvalorização do câmbio.

“Devemos ter em 2013 um crescimento em torno de 2,5% e 3,5%. Mas este ano não podemos comemorar”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante coletiva para balanço do setor ontem, realizada na sede da entidade, em São Paulo. A projeção da Federação é de recuo de 2% da produção da indústria de transformação neste ano. A Fiesp também prevê crescimento do PIB de 1% em 2012.

Apesar dos resultados insatisfatórios do setor, Skaf definiu as ações do governo a favor da competitividade da indústria como “missão cumprida”. “O estado de espírito dos empresários está mudando. Estamos em uma direção correta”, disse, destacando a necessidade de estímulos ao investimento no setor privado.

Entre os êxitos da “missão”, Skaf destacou o anúncio pelo governo, em setembro, da redução das tarifas de energia em até 20%. A medida, levada ao Congresso pela MP 579 — que também trata da renovação antecipada de concessões de energia com vencimento em 2015 — foi aprovada ontem pelo plenário da Câmara e agora segue para votação no Senado. Skaf, no entanto, criticou a posição do governo paulista e da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de não aderir à proposta de renovação do Planalto.

“São Paulo deveria ser o exemplo porque tem 22% da população do país e 42% do parque industrial. O governo mostrou mais preocupação com uma estatal que mantém cobranças indevidas do que com a população”, disse. “Ficamos dois anos cobrando providências do governo contra um preço injusto, e os argumentos contra (a renegociação de tarifas) foram perdendo força”, completou ele, que negou o argumento de concessionárias de que a ação do governo causou “surpresa ao mercado”.

Segundo ele, a próxima bandeira da Fiesp no ano que vem será a redução do preço do gás, o que exigirá mais diálogo da entidade com a presidente da Petrobras, Graça Foster.

Em relação a juros e câmbio, Skaf destacou que ainda “há espaço” para a taxa Selic chegar a até 5% em 2013. A taxa básica de juros está em 7,25% após nove quedas consecutivas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde agosto de 2011. “Já uma cotação correta do dólar no país seria entre R$2,30 e R$2,40”, observou Skaf, reconhecendo melhoras no cenário cambial para a indústria.

Um levantamento de pequenas e médias empresas paulistas capazes de disponibilizar seus negócios na Bolsa de Valores será um dos novos projetos da Fiesp para 2013. “Vamos aproximar o mercado de capitais das empresas, será um trabalho de convencimento”, afirmou Skaf. O objetivo é levar 750 PMEs para a BM&F Bovespa no ano que vem. Uma lista de ‘candidatas’ deve ser concluída até março.

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