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Estoques caíram e as vendas começaram a acelerar em outubro. Man já cancela férias coletivas deste mês

O sinal amarelo, quase verde, já desponta no final do túnel para as montadoras de caminhões instaladas no país. No ano que vem, as empresas esperam que as vendas de veículos comerciais cresçam e possam chegar perto de 2010, o segundo melhor ano da indústria automotiva brasileira. Com vendas de até 150 mil unidades, as companhias já começam a acelerar a produção. A Man Latin America, por exemplo, cancelou as férias coletivas em dezembro, e vai parar a produção só no período entre o Natal e Revéillon.

“A manutenção dos incentivos do governo, a redução das taxas do Finame PSI (Financiamento do BNDES), impactaram positivamente o setor. Com isso, já começamos a aumentar a cadência de produção. Acreditamos que ao final de 2013, estaremos nos níveis de produção de 2010”, disse o presidente da Man, Roberto Cortes.

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), naquele ano foram produzidos 191.621 caminhões; A Man montou, em sua fábrica de Resende (RJ), 57.442 unidades. “Estamos trabalhando sem paradas da linha de produção e já fazemos alguma hora-extra. Isso até setembro era impensável. 2012 foi um ano para o nosso aprendizado”, ressaltou Cortes.

Aprendizado, conforme o executivo, no sentido de planejar melhor os negócios num país em constantes mudanças. “No segundo trimestre as vendas de caminhões caíram 25%, no terceiro a queda foi ainda maior, 35% em relação ao mesmo período do ano passado. A situação só foi melhorar em outubro e novembro. O ritmo de desaceleração caiu, foram vendidos 7% menos caminhões que outubro/novembro de 2011”.

Para ele, no ano que vem o mercado deverá crescer cerca de 7,5% ante 2012. “Vai ser bem melhor que este ano e um dos fatores é o próprio crescimento econômico. A estimativa é que o PIB (Produto Interno Bruto) aumente entre 3% a 4%. O PIB crescendo puxa a indústria do transporte no Brasil”, acrescentou Cortes que ressaltou que a Man deve ter um desempenho superior ao mercado em 2013. Segundo ele, a montadora vai se esforçar para manter uma participação de 30% nas vendas totais no país. “Esse ano subimos alguns degraus no ranking de vendas. Passamos de 29,9% para 30,2%, isso num mercado difícil”, disse Cortes.

Outra que subiu sua participação foi a Mercedes-Benz. Segundo dados da Anfavea, ela passou de 24,4% de janeiro a novembro de 2011 para 25,2% no mesmo período deste ano. Contudo, esse ganho no market share não mudou os ajustes na produção da montadora no país até agora. No meio deste ano, ela colocou em suspensão temporária de trabalho 1,5 mil funcionários. A volta estava prevista para novembro mas foi estendida para final de janeiro e final de março. Segundo a montadora, a programação de produção está mantida para dezembro. Mas já há uma melhora no volume de pedidos na rede de concessionários, os estoques estão em níveis normais e a produção já começa a sofrer uma pressão para aumentar.

“Sabemos que o próximo ano continuará sendo de desafios, no entanto nossas perspectivas são de retomada do crescimento econômico do país. Como bem sabemos, se a economia cresce, o mercado de veículos comercias acompanha”, disse o presidente da Mercedes-Benz do Brasil & CEO para América Latina, Jürgen Ziegler.

Outra montadora otimista com o mercado no ano que vem é a Ford. O diretor de caminhões da montadora, Oswaldo Jardim, acredita que as vendas em 2013 deverão crescer entre 10% e 13%. Este ano, a estimativa da indústria são vendas de 138 mil unidades.

“Em outubro e novembro já sentimos uma recuperação importante. A produção está estabilizada e os estoques em níveis normais. Em 2013 temos alguns lançamentos, mais de 6 caminhões devem compor a nossa linha, e com isso vamos recuperar o tempo perdido em 2012, quando perdemos em torno de 2 pontos percentuais em participação de mercado”, disse Jardim. Cada 1 p.p representa 1,5 mil caminhões a menos para a empresa. 

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