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Mercado enfrentou em 2012 período de transição em que a legislação obrigou a venda de veículos com motores mais limpos em termos de emissões de poluentes, porém mais caros

Reuters

A fabricante de caminhões e chassis de ônibus MAN Latin America espera crescimento de 20 a 25% na produção de caminhões pelas fabricantes instaladas no país no próximo ano, recuperando parte de um tombo de dois dígitos previsto para 2012.

Em entrevista à Reuters, o presidente da divisão latino-americana da fabricante controlada pela Volkswagen, Roberto Cortes, afirmou que o crescimento das vendas de caminhões pelas montadoras no Brasil deve ser da ordem de 7%, em linha com estimativas da associação de montadoras Anfavea, que previu alta entre 7 e 7,5% em 2013 na semana passada.

A diferença das estimativas de aumento para produção e vendas decorre do atual baixo nível de estoques do setor, disse Cortes, avaliando o volume como suficiente para atender 20 dias de vendas ante um nível de dois meses no início de 2012.

"No primeiro trimestre deste ano, as vendas da indústria caíram 6% (sobre o mesmo período do ano anterior). No segundo trimestre, caímos 25% e no terceiro, 35%... E agora o acumulado de outubro e novembro nós caímos só 7%", disse Cortes.

"Realmente houve uma reversão, paramos de cair dois dígitos (...) Entramos bastante pessimistas no ano, mas em 2013 vamos entrar bastante otimistas", disse o executivo.

Nos primeiros 11 meses de 2012, a MAN acumula queda de 19% nas vendas sobre o mesmo período de 2011, para 37.494 unidades, na liderança do setor. Mas apenas em novembro, as vendas apontaram alta de 12,7% sobre outubro e recuo de 5% na comparação anual.

O mercado brasileiro de caminhões enfrentou em 2012 período de transição em que a legislação obrigou a venda de veículos com motores mais limpos em termos de emissões de poluentes, porém mais caros. A mudança causou forte antecipação de compras no fim de 2011 e aumento de estoques, o que foi agravado pelo baixo crescimento da economia este ano.

De janeiro a novembro, as vendas de caminhões no país acumulam queda de 19,5%, enquanto a produção registra tombo de 39%. Com o desempenho negativo, o governo federal tomou uma série de medidas para incentivar as vendas, com a mais recente sendo a renovação por um ano do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) com juros reduzidos para compra de caminhões e bens de capital.

Apesar do otimismo para 2013, Cortes afirmou que a indústria tem como incertezas uma eventual renovação do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), zerado para o setor desde 2009, e a medida que acelerou benefício fiscal de depreciação de caminhões de quatro anos para um ano, que vencem no fim deste ano.

Segundo Cortes, a MAN espera crescer suas vendas mais que os 7% estimados pela Anfavea em 2013 em função da companhia trabalhar com as duas tecnologias de emissões Euro 5 (EGR e SCR). Ele não forneceu uma meta específica de aumento das vendas apenas da MAN.

O quadro da montadora no país, onde possui fábrica em Resende (RJ), difere da situação da Europa, onde marcas como a MAN e a Volvo anunciaram recentemente diminuições de produção por demanda fraca.

Cortes afirmou que a MAN vai parar no Brasil somente para os feriados de Natal e Ano Novo, após ter dado dois períodos de 20 dias de férias coletivas aos funcionários no decorrer de 2012.

Por Alberto Alerigi Jr.

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