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Objetivo de ficar no “azul” já é passado, em um ano marcado por prejuízos no setor

Há tempos as empresas de aviação brasileira não veem em seu horizonte um “céu de brigadeiro”. Queda na demanda, aumento nos custos de combustíveis e de operação, além do fator câmbio, vem transformando o negócio da aviação em um quebra cabeça surrealista. Enquanto Tam e Gol enxugam suas operações para tentar amenizar o iminente prejuízo, a caçula do setor, Azul, terá de postergar mais os planos de seu fundador David Neeleman de ter lucro neste ano. Porém, ainda sonha com a possibilidade de equilibrar as contas em 2013.

A companhia adquiriu a Trip em maio e vem tendo bons resultados com sinergia. A estratégia foi semelhante a de suas concorrentes, lembrando que a Tam adquiriu a Pantanal, em 2009, e a Gol, comprou a Webjet em julho de 2011. Mas segundo José Mario Caprioli dos Santos, presidente da Trip, os resultados são muito diferentes.

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“Teremos resultados no quarto trimestre, mas não posso garantir que será suficiente para equilibrar as contas. Operacionalmente, por outro lado, podemos chegar a um equilíbrio sim”, conta Santos, ressaltando que a Azul/Trip vai fechar o ano com um faturamento de R$ 4,2 bilhões e meta de chegar a R$ 5 bilhões em 2013.

“Inicialmente, esperávamos uma sinergia média de 3,5% em relação às margens e também a receita. Mas percebemos que estamos chegando a um patamar de sinergia de 6% a 7% nestes indicadores”, comemora, “o que deve gerar muita vantagem em margem em relação aos competidores”.

A fusão entre as empresas está na reta final no Conselho de Defesa Econômica (Cade), uma vez que a superintendência geral da entidade emitiu parecer em novembro sugerindo a união das empresas, sem restrição. O processo deverá ser concluído já no começo de 2013.

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Mas nos negócios entre as companhias, a fusão já avança. Desde 1º de dezembro, as passagens da Trip passarão a ser vendidas no site da Azul, marca que prevaleceu como prioridade no acordo de acionistas. A partir de janeiro, as empresas passarão a ter a mesma sede, em Barueri, na grande São Paulo.

“Este ano foi traumático para a aviação, mas tudo indica que 2013 não será assim”, diz. De acordo com o executivo, as empresas já fizeram os ajustes necessários para adequar a oferta à demanda, como o fechamento da Webjet, pela Gol. Além disso, as pressões do câmbio já chegaram ao seu limite.

Quanto a recuperação no yield (valor médio pago por passageiro/quilômetro voado), ficará para o próximo ano. “Este ano será estável”, diz.

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