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Senergy, comprada este ano, já dá retorno e companhia alemã exporta tecnologia

Comprada em junho pela Siemens, a mineira Senergy, fabricante de softwares voltados para o combate de perdas de energia, começa a dar os primeiros resultados para a companhia alemã. A partir da brasileira, o grupo está exportando sua tecnologia para países da África, da América Latina, do Leste Europeu e em breve chegará à Índia. E mais aquisições relacionadas à divisão de infraestrutura e cidades da companhia devem vir por aí. “Temos no Brasil várias aquisições em andamento que em breve serão anunciadas. Há também aquisições feitas em nível global as quais serão integradas em nossas operações no Brasil”, afirma Guilherme Mendonça, diretor de infraestrutura e cidades da Siemens.

O setor de rede inteligente, chamado de “smart grid” é um dos focos da companhia, já que um grande mercado deve se abrir nesta área. Em agosto deste ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o regulamento dos medidores eletrônicos de consumo de energia. A medida permitirá que os consumidores paguem menos pela eletricidade utilizada fora dos horários de pico. As distribuidoras precisam se adequar até 2014. “O combate às perdas de energia é um tema crítico das distribuidoras de energia no Brasil. Elas perdem bilhões de reais com roubo de energia e desperdício”, afirma Mendonça.

A compra da Senergy também incluiu um centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) dedicado à área de medição. Além disso, a Siemens inaugurou em abril um centro de P&D em Curitiba. “Com essa estrutura estamos prontos para atender as demandas do mercado brasileiro, mas estamos atentos a novos investimentos, tanto em aquisições quanto em ampliação da estrutura”, diz Mendonça. A divisão de infraestrutura e cidades foi criada pela Siemens em setembro do ano passado para oferecer tecnologias voltadas a grandes centros urbanos. A unidade de negócios tem cinco sub-divisões: mobilidade e logística (gestão de trânsito, por exemplo); sistemas ferroviários; baixa e média tensão; redes inteligentes e tecnologias para edifícios. O executivo não revela o faturamento da área, mas mostra otimismo em relação ao seu crescimento. “A expectativa é um crescimento de dois dígitos no Brasil. Somos a bola da vez e temos nosso plano estratégico para liderar esse mercado”, diz.

A companhia conta com diversos projetos em andamento. No Rio de Janeiro, por exemplo, o grupo está modernizando o sistema de distribuição de energia com a automatização de cerca de 25 subestações. Em São Paulo, a empresa assinou recentemente um contrato com a Eletropaulo para o monitoramento de transformadores na cidade. Também na capital paulista, a Siemens desenvolveu, em parceria com a Agrale, um ônibus híbrido para o sistema de transporte público. Além da divisão de infraestrutura e cidades, a Siemens também possui unidades de negócios nas áreas de saúde, indústria e energia. No ano passado, o grupo alemão alcançou um faturamento de R$ 5 bilhões no Brasil.

*A repórter viajou a convite da Siemens

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