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As 1,4 mil marinas no país estão lotadas e ao menos 490 mil embarcações não têm onde ficar

Comprar barcos, iates ou embarcações de grande porte tem se tornado um dos hobbies dos brasileiros. Nos últimos três anos, este mercado tem crescido 20% ao ano apenas no Brasil. São veículos que variam de R$ 20 mil a R$ 6 milhões. Mas o crescimento esbarra num obstáculo: não há vagas suficiente nas principais marinas do país, onde os negócios relacionados movimentaram US$ 800 milhões apenas neste ano.

O problema vem atrapalhando o sono dos empresários do setor nos últimos 10 anos. De acordo com a gerente de mercado da fabricante Fibraforte, Cleide Lana, a situação merece atenção, pois muitos clientes reclamam da falta de espaço para armazena “estacionar” suas embarcações. “As marinas não crescem de acordo com o mercado náutico brasileiro", reclama Cleide.

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Segundo ela, um dos principais problemas está no interior de São Paulo, já que não há estrutura para deixar os barcos nas represas. Além disso, as leis ambientais proíbem a construção de marinas por causa das questões de sustentabilidade. "É preciso encontrar uma alternativa", desabafa.

No litoral norte de São Paulo não é diferente. Em Ubatuba, por exemplo, há cerca de um ano, a taxa de ocupação das 23 marinas da cidade registrava um índice de ocupação de 85%, segundo a Associação Náutica do Litoral Norte. Atenta, a Marina Ubatuba está ampliando sua área de locação. “Hoje nós possuímos pelo menos 80 embarcações aqui. Vamos ter espaço para no mínimo mais 50”, contou um funcionário.

No Rio de Janeiro, a pressão é maior. A Marina da Glória está com as suas 300 vagas ocupadas. De acordo com o gerente náutico, Nelson Falcão há uma lista de espera com 40 pessoas. “Estamos em negociação com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para aumentarmos o nosso espaço para 500 vagas”, contou Falcão.

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Ao todo, o Brasil possui 1,4 mil marinas espalhadas em seu território. O número médio de vagas em cada uma é de 150. Porém, há pelo menos 700 mil embarcações, ou seja, são 490 mil barcos à deriva. A média do país é de um barco para cada 277 habitantes. Na França, a relação é de um para cada 63. Nos Estados Unidos, um para cada 23.

De acordo com o analista do setor Márcio Dottori, a previsão é que até 2020 o número de embarcações dobre no Brasil. Para ele, a situação é grave e pode sim prejudicar os fabricantes. “Não há mais vaga para estacionar. Em Salvador, praticamente não há espaço. As poucas vagas que têm no resto do país possuem valores altos para o bolso de qualquer um”.

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Para conquistar um espaço em uma marina, o cliente tem de estar disposto a desembolsar entre R$ 20 e R$ 120 mil na entrada. Há ainda mensalidades que variam em torno de R$ 1,5 mil.

Depois do Estado de São Paulo, Santa Catarina é a região brasileira com o maior número de estaleiros. Segundo o presidente da Associação Catarinense de Marinas e Garagens Náuticas (Acatmar), Leandro Ferrari, há pelo menos 60 marinas entre secas e molhadas no Estado. “Nós estamos deixando de atender o nosso consumidor, pois não temos espaço para atracar as embarcações”, comentou Ferrari

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