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Analistas projetam recuo de 1%. Mas a produção poderá ficar em linha com o crescimento da economia

Apesar dos bons números que o setor automotivo experimenta neste segundo semestre, a antecipação da demanda por veículos novos pode promover um ano de estagnação para esta indústria em 2013. Segundo cálculos da consultoria LCA, a venda de veículos de passeio deve cair 1% no próximo ano. Quando somado o segmento de comerciais leves, no qual se inserem as picapes pequenas, o crescimento do setor não deve sequer alcançar 1% ante 2012.

De acordo com as projeções, a desaceleração dos licenciamentos de automóveis começará já no último trimestre deste ano, mesmo com a prorrogação da redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) até dezembro. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no terceiro trimestre foram comercializadas 1,035 milhão de unidades, entre veículos de passeios e comerciais leves. Para a LCA, no último quarto do ano, as vendas devem chegar a apenas 980 mil unidades.

A produção deve sentir os efeitos desta antecipação de demanda no primeiro bimestre. Com o fim do IPI reduzido no final de 2012, empresas correm para estocar e faturar veículos antes que acabe o ano. Para isso, precisam enviar o quanto antes o maior número de automóveis para as concessionárias, a fim de que os preços possam ser mantidos até meados de fevereiro ou março de 2013.

Segundo Rodrigo Nishida, economista da LCA, outros fatores compensarão futuramente a queda de produção nos primeiros meses. As exportações devem crescer com uma recuperação gradual da economia argentina, o principal comprador de automóveis e peças brasileiras. Além disso, o novo regime automotivo, Inovar-Auto, tende a restringir a entrada de carros importados. “Com isso, no final do próximo ano, a produção pode ter um crescimento próximo de 3%”, afirma.

A projeção vai ao encontro das expectativas da equipe econômica do governo federal. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Brasil deve observar uma expansão do Produto Interno Bruto acima de 4% em 2013. (leia mais abaixo)Atualmente, o setor automotivo representa 15,6% da indústria de transformação e representa um termômetro da produção de bens com alto valor agregado.

Francisco Satkunas, diretor da SAE Brasil, possui números mais otimistas. Ele argumenta que a entrada de novos modelos no mercado brasileiro esquentará o setor, principalmente no segmento mais popular. “A Hyundai está com uma demanda não atendida de 25 mil unidades do HB20. O Onix, da Chevrolet, também desponta como um grande veículo para 2013. Teremos uma concorrência acirrada em um momento de aquecimento da economia”, diz.

Satkunas, que espera uma alta das vendas da ordem de 3% no próximo ano, diz que a indústria está mais preparada para enfrentar um período de queda inesperada das comercializações. “Hoje ela trabalha com mais segurança. O governo anunciou com antecedência o novo regime e ninguém espera uma prorrogação do benefício fiscal. Uma das poucas coisas que podem causar surpresa no mercado seria um aumento acima de 10% do preço da gasolina”, comenta.

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