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Depois da BMW, Audi e Mercedes-Benz se apressam para anunciar projetos de produção no Brasil

Depois da “invasão chinesa” no mercado automotivo brasileiro, com montadoras do país da Grande Muralha anunciando fábricas no Brasil, a próxima onda de investimento por aqui deve vir das montadoras premium. A alemã BMW largou na frente nessa corrida para conquistar o gosto do consumidor brasileiro e agora as suas concorrentes correm com os estudos de viabilidade e assim também se instalarem em território nacional.

Audi, Mercedes-Benz, Land Rover, Volvo e Chrysler são a bola da vez nesse jogo. “A Audi e a Mercedes tem a seu favor a proximidade com o mercado brasileiro. Elas já conhecem o país, sabem como é produzir aqui. O investimento para elas seria bem menor que o investimento da BMW, por exemplo. Acredito que a Audi é a que está mais perto de concretizar esse projeto”, disse o consultor automotivo, Francisco Satkunas.

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De fato, a montadora já anunciou que vai voltar a produzir carros no Brasil, como antecipou ontem o BRASIL ECONÔMICO. O modelo escolhido pode ser o hatch A3 que seria montado em São José dos Pinhais, no Paraná. Lá já existem linhas de produção da Volkswagen do Brasil, co-irmã da Audi. A ideia é compartilhar essa unidade para sair de lá o Audi brasileiro. Seria uma volta às origens, já que foi no Paraná que a montadora alemã começou a produzir no país em 1999. Essa linha durou até 2006.

O presidente da VW Brasil, Thomas Schmall, disse que agora aquela unidade de produção “entrava novamente no jogo”, depois do acordo feito com o sindicato local que instituiu o banco de horas e flexibilização de produção. Essa declaração pode ser entendida tanto para um novo modelo da VW quanto uma linha de produção independente da Audi na fábrica.

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A segunda opção, no entanto, é a mais provável. Isso porque o presidente mundial do Grupo Volkswagen, Martin Winterkorn, em vista ao Brasil no mês passado, disse que a companhia estuda esse compartilhamento de linhas de produção no Paraná. Segundo ele, se o mercado brasileiro chegar a 5 milhões de carros será necessário nacionalizar a produção da Audi no Brasil.

Essa estimativa de mercado do CEO da VW é para 2016, dois anos depois da BMW iniciar as atividades da fábrica no Brasil. “Todas as marcas olham o país de uma maneira especial porque os mercados de origem já estão maturados. O Brasil hoje atrai investimentos de todos os cantos do mundo”, disse o consultor e ex-presidente da Ford, Luiz Carlos Mello. 

A BMW terá uma fábrica em Santa Catarina, na cidade de Araquari. A capacidade será para produção de 30 mil unidades por ano e a expectativa é que as operações tenham início em 2014. Neste ano, a companhia vai vender cerca de 8,5 mil carros no país um volume 30% menor que o obtido em 2011.

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Outra que corre para não perder o bonde é a Mercedes-Benz. A marca manteve uma produção local em Juiz de Fora de 1999 a 2008. A unidade foi projetada para produzir 60 mil automóveis por ano, e quando começou a operar o mercado brasileiro estava em cerca de 1,5 milhão de unidades. Mas, mesmo com toda a pujança, a Mercedes não conseguiu deslanchar e o pico de produção na fábrica foi 27 mil unidades em 2008, com o cupê CLC para a exportação. Hoje, a unidade produz caminhões leve e pesado e a capacidade é de 50 mil unidades por ano e já em 2012 vai fabricar 15 mil veículos.

Agora, com a parceria com a Renault -Nissan, a Daimler poderá compartilhar a produção com a Nissan em Resende (RJ). “Poderemos investir menos que se fizermos o aporte sozinhos. É um estudo que estamos concluindo e o Brasil pode se beneficiar disso”, disse o CEO da Daimler, Dieter Zetsche, em visita ao país em outubro.

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