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Aposta na produção de ferro persiste, mas Brasil avança na exploração de potássio e de terras raras

Cerca de US$ 75 bilhões serão investidos nos próximos quatro anos em projetos de mineração no Brasil, aponta levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) junto às mineradoras atuantes no país. O Ibram representa 234 empresas, que respondem por 85% da produção mineral brasileira em valor.

O volume equivale a um quinto do total que será aplicado no setor no mundo até 2016. De acordo com estudo da consultoria PriceWaterhouseCoopers (PwC), a cifra global alcançará US$ 400 bilhões na janela de tempo que vai até 2016.

Os planos de investimento tiveram incremento de 9,5% em relação à última aferição feita pelo instituto, em setembro do ano passado, quando os projetos somavam US$ 68,5 bilhões entre 2011 e 2015.

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Entre os minérios explorados no país, o carro-chefe é, desde a década de 80, o ferro. Para o segmento, a perspectiva é de investimentos da ordem de US$ 46 bilhões até 2016.

“Por uma década e meia, até meados dos anos 90, em que o preço ficou estagnado, mas a produção persistiu. Depois, do patamar de US$ 15 por tonelada, passou para níveis bem mais altos, chegando a um pico de US$ 150 por tonelada no ano passado. Agora, se estabilizou entre US$ 100 e US$ 110”, diz Marcelo Ribeiro Tunes, diretor de assuntos minerais do Ibram.

Nem a desacelaração da economia da China, maior produtor de aço do mundo, desanima o setor. “O incremento no PIB caiu do patamar de dígitos em que se manteve por anos. Mas ainda se mantém na casa de 8% ao ano, o que é bastante. Além do mais, eles continuam fazendo programa de urbanização, o que abarca algo como 800 milhões de pessoas, mais do que quatro vezes a população total do Brasil”, ressalta Tunes.

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“Como não querem favelizar as cidades, eles necessitam grandes volumes de recursos minerais. E a sinalização é de que continuarão este processo, apesar da redução do ritmo da atividade econômica. Eles têm 45 aeroportos em construção e planejam oito cidades de 25 milhões de habitantes”, argumenta.

Outro alento para o setor é o aumento de renda dos brasileiros. Com quase 200 milhões de habitantes, o país ainda tem consumo per capita de minérios abaixo do potencial, de acordo com o Ibram. “Com a ascensão de milhões de pessoas para a classe média, seguramente temos um cenário de consumo crescente”, argumenta o presidente do Ibram.

Apesar do otimismo, o incremento dos investimentos em ferro deve ser de apenas 2,36%.

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Já a produção de potássio, cujos sais são usados como base de fertilizantes, terá crescimento de 194,28%, conforme a projeção do Ibram.

“Os aportes são todos para a única mina do país, em Sergipe. O Brasil ainda importa 90% do que demanda”, explica Tunes.

A pesquisa também verificou aportes relevantes na exploração de terras raras, conjunto de 17 elementos químicos que ocorrem juntos na natureza e são usados para a produção de imãs, telas de tablets, computadores e celulares, no processo de produção de gasolina, e em painéis solares.

A China praticamente detém monopólio do segmento (90%). Antes sem perspectivas de investimentos, o setor agora conta com um volume de US$ 3,743 bilhões. O segmento está agitado: duas empresas adquiriram áreas com concentração desse tipo de minério e outras 17 solicitaram ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) autorização para fazer pesquisas sobre minerais e exploração de áreas.

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