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No ano passado, as inovações da empresa para acompanhamento domiciliar cresceram 25% no Brasil, enquanto as soluções de informática cresceram 20%

Michael Porter, professor da Harvard Business School
Mayara Teixeira
Michael Porter, professor da Harvard Business School

Os equipamentos hospitalares de alta tecnologia ainda são investimento raro nos hospitais brasileiros, segundo a Philips, uma das principais fornecedoras do setor. Na empresa, as áreas de maior crescimento são homecare e informática. No ano passado, as inovações da companhia para acompanhamento domiciliar cresceram 25% no Brasil, enquanto as soluções de informática cresceram 20%. “São as áreas que mais crescem, porém equipamentos mais primários ainda são responsáveis pela maior parte de nosso faturamento no país”, diz  diz Vitor Rocha, vice-presidente da Healthcare da Philips na América Latina.

Mesmo o sistema privado não é garantia de uso de alta tecnologia. Segundo dados da Philips, para cada 1 milhão de habitantes existem seis equipamentos de ressonância magnética no Brasil. Nos EUA, o número sobe para 30 e no Japão, para 40. “Estive em Manaus na semana passada. Faltam equipamentos e profissionais preparados para utilizá-los”, diz Rocha.

Para falar sobre o tema, a Philips trouxe ao Brasil o professor Michael Porter, da Harvard Business School, para um encontro promovido pela empresa nesta segunda-feira (5). Porter se dedica ao estudo de sistemas de saúde há dez anos. Segundo ele, o amplo uso da tecnologia pode ser uma solução para o sistema de saúde brasileiro.

“Em um mundo de complexa tecnologia, concentrar apenas em diminuição de custos não funciona, temos que pensar no valor entregue ao paciente”, diz Porter, que também é autor do livro “Repensando a Saúde – Estratégias para melhorar a qualidade e reduzir custos”.

Segundo a tese de Porter, se os custos aumentam inicialmente com os investimentos, eles tendem a diminuir ao longo do processo.

Um dos serviços oferecidos pela Philips é um sistema acessado por tablets que reconhece as impressões digitais dos pacientes e reúne todos seus dados clínicos. É uma tecnologia de ponta, que se propõe a informatizar dados e diminuir a burocracia, mas que no Brasil dificilmente seria encontrada em serviços públicos de assistência médica.

“A América Latina e o Brasil são regiões com elevado contraste, ao mesmo tempo podemos encontrar robôs aplicados em cirurgia e hospitais sem pias para lavar as mãos”, diz Vitor Rocha. “Nas áreas públicas, fornecemos principalmente aparelhos de imagem, monitoramento e anestesia, que são mais primários”, explica.

Para o professor Porter, o problema pode ser resolvido. “Unir diferentes especialistas em uma unidade comum de atendimento, estabelecer uma comunicação eficiente entre eles e aumentar afiliações com clínicas especializadas pode reformular o modelo de saúde”, diz.

Monitorar regularmente o desempenho da instituição, comparar os dados durante o tempo e traçar estratégias também são soluções simples e adotadas por outros setores que devem ser aplicadas na área da saúde. “Estamos confusos. Em outros setores as direções de crescimento e estratégia parecem mais claras”, diz.

Cerca de 50 milhões de pessoas utilizam serviços privados de saúde no Brasil, um número crescente devido ao aumento dos índices de emprego e que acelera os investimentos no setor.


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