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Flexibilização das importações passam por dois fatores: as chuvas de verão e os subsídios de energia

Ao menos para os economistas, as tensões comerciais entre Brasil e Argentina devem diminuir em 2013. As safras recordes que o governo argentino prevê prometem injetar bilhões de dólares na balança comercial do país, abrindo espaço para as exportações de produtos brasileiros. Segundo eles, apenas as safras de soja, milho e trigo devem render ao país, em 2013, US$ 40 bilhões em exportações.

No entanto, para que as estimativas se transformem em flexibilização na pauta de importação dois fatores são preponderantes: as chuvas, que já ameaçam a safra recorde, e os subsídios em energia.

O chefe do comércio exterior argentino, Mario Guillermo Moreno, ministro do comércio interior, ainda não deu sinais de que pode haver mudanças na política do um para um com o Brasil — para cada dólar importado, um precisa ser exportado. Mesmo com a redução prevista no serviço da dívida para 2013, que cairá de US$ 10 bilhões para US$ 4 bilhões, os gastos com energia devem subir com a aceleração da economia argentina.

Aceleração esta que vem a reboque da brasileira. Segundo o economista Juan Soldano, caso o Brasil cresça 4% no próximo ano, cerca de 1 ponto percentual será repassado à Argentina.

Economistas contabilizam que Cristina Kirchner, presidente daquele país, terá de pagar ao menos US$ 18 bilhões entre dívida e energia. Conta substancialmente menor que a deste ano, que chegou a US$ 25 bilhões, e que teve de ser paga quase que integralmente com as divisas adquiridas com o superávit comercial.

Para Maurício Claveri, economista da consultoria Abeceb, é esperado em 2013 uma alta de 15% nas exportações totais, o que, segundo ele, devem ser repassados para as importações.

Caso as compras do Brasil cresçam à essa medida no próximo ano, o fluxo de comércio pode voltar próximo ao observado em 2011. Neste ano, as exportações tupiniquins já caíram mais de 20%, enquanto que as importações diminuíram em 7%.

“O Brasil possui uma situação peculiar, pois o setor automobilístico é o que mais desequilibra a balança. O déficit argentino alcançou este ano US$ 8 bilhões. Porém, a integração produtiva é difícil de ser revista”, explica Claveri.

As políticas protecionistas de Moreno causaram reclamações de diversos países em órgãos internacionais. União Europeia, México e Japão acionaram o país na Organização Mundial do Comércio em 2012.

Alberto Alzueta, presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira, é mais pessimista que seu conterrâneo economista. Segundo ele, que arquiteta uma integração produtiva entre industriais brasileiros com o governo da província de Córdoba, o ambiente político argentino (leia mais abaixo) sugere mais dificuldades. “A situação é pior a cada dia. É difícil imaginar uma flexibilização.”

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