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BNDES lança uma série de estudos setoriais para comemorar seus 60 anos de existência. A primeira publicação é sobre a indústria de papel e celulose nacional, que recebeu cerca de R$ 7,9 bilhões em crédito do banco de fomento na última década

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lança hoje livro com diversos estudos setoriais, como parte das comemorações dos seus 60 anos. O presidente Luciano Coutinho, o vice-presidente João Carlos Ferraz, e os diretores Julio Raimundo e Roberto Zurli participam da cerimônia de lançamento.

O primeiro estudo apresentado é o da indústria de papel e celulose, entre 2000 e 2010 . O texto aponta que a produção brasileira de papel respondeu por apenas 2,5% da produção mundial em 2010, enquanto a de celulose do país teve participação de 7,6% — ou de 38%, se for considerada apenas a celulose de mercado branqueada kraft de fibra curta (BHKP), produzida por meio de processo químico. Os números indicam posição de destaque do Brasil na produção mundial de celulose, devido à alta competitividade de produção brasileira, oriunda da floresta.

A balança comercial brasileira de papel apresentou dois movimentos distintos no período estudado, relacionados ao movimento da taxa de câmbio. De 2000 a 2005, a balança apurou superávits cada vez maiores, registrando saldo de 1,1 milhão de toneladas em 2005. Já no período seguinte, o resultado é de apenas 289 mil toneladas, em 2010, menor valor desde 2000.

De acordo com a análise, em 2010, o Brasil foi o segundo maior exportador de celulose, perdendo apenas para o Canadá. No ano de 2000, o país ocupava a quarta posição. A Europa aparece como principal destino da celulose brasileira, respondendo por 47% do volume total, em 2010. Em seguida despontam a China e os Estados Unidos, com 22% e 19%, respectivamente.

O levantamento informa ainda que o BNDES desembolsou R$ 5,4 bilhões, no período estudado, para os grandes projetos do setor de celulose. Enquanto no de papéis, o montante foi de R$ 2,5 bilhões.

O documento também aponta as perspectivas para o setor nos próximos anos. “É provável que a demanda por papéis continue sendo influenciada pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)”, diz o estudo. Contudo, a demanda de celulose deve continuar tendo comportamento distinto.

Segundo o texto, elaborado por André Barros da Hora e Carvalho Foster Vidal, gerente e técnico do Departamento de Papel e Celulose (Depacel), o maior desafio das duas indústrias, de papel e de celulose, é o desenvolvimento tecnológico na parque industrial.

Uma das promessas para os próximos anos está na biotecnologia florestal, que vem ganhando espaço nas discussões dos produtores brasileiros que planejam aplicar a tecnologia em suas florestas. Ele aponta também que a indústria de celulose deve se concentrar nas inovações ligadas ao conceito de biorefinaria, para assim garantir sua rentabilidade e posicionamento no longo prazo.

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