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Empresa registrou lucro de R$ 5,567 bilhões, valor abaixo da previsão do mercado, mas ainda assim conseguiu reduzir o saldo negativo do ano para R$ 569 milhões

A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 5,567 bilhões no terceiro trimestre deste ano, uma retração de 12,1% em relação ao mesmo período de 2011 (R$ 6,336 bilhões). O número, porém, contrasta com o prejuízo de R$ 1,346 bilhão reportado pela companhia no segundo trimestre deste ano. Apesar do prejuízo entre abril e junho, a estatal acumulou lucro líquido de R$ 13,435 bilhões de janeiro a setembro. O resultado, no entanto, é 52% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

O resultado veio abaixo das expectativas. O mercado esperava que o lucro líquido poderia subir quase 20%, para R$ 7,5 bilhões, no período entre julho e setembro.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) trimestral totalizou R$ 14,375 bilhões, com retração de 12,5% ante o terceiro trimestre de 2011. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o Ebitda da Petrobras alcançou R$ 41,495 bilhões, com retração de 14% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

A receita líquida da Petrobras entre julho e setembro alcançou R$ 73,793 bilhões, alta de 16,1% em igual comparação. O resultado, um novo recorde histórico para a companhia, foi ocasionado por uma combinação de fatores, com destaque principal aos aumentos de combustível aplicados pela estatal entre junho e julho. A gasolina A foi reajustada nas refinarias em 7,83% em 25 de junho. O diesel recebeu dois reajustes, um de 3,94%, em 25 de junho, e outro de 6%, em 16 de julho. No acumulado de janeiro a setembro, a receita da Petrobras totalizou R$ 207,974 bilhões, expansão de 16% ante igual intervalo de 2011.

A decisão da estatal de aumentar o preço dos combustíveis, após aval do governo federal, é uma maneira de compensar a política adotada pela companhia de importar combustível a preços altos no exterior e revendê-lo internamente a preços mais baixos. Este foi um dos motivos que contribuíram para o prejuízo registrado no segundo trimestre deste ano.

Além das margens um pouco mais atrativas na área de combustíveis após a adoção dos reajustes, o resultado do terceiro trimestre reflete um cenário menos adverso do ponto de vista cambial. Ao contrário do terceiro trimestre de 2011 e do segundo trimestre deste ano, quando a valorização do dólar chegou à casa dos dois dígitos e causou grande pressão no resultado financeiro da companhia, no terceiro trimestre deste ano o câmbio ficou praticamente estável.

Com isso, o resultado financeiro da Petrobras foi negativo em apenas R$ 569 milhões, ante R$ 5,227 bilhões negativos no mesmo intervalo de 2011. No acumulado de janeiro a setembro, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 6,511 bilhões, ante resultado financeiro negativo de R$ 278 milhões nos nove primeiros meses de 2011.

Mas, ainda que o resultado tenha sido melhor do que o apresentado no segundo trimestre deste ano, a Petrobras continua a enfrentar problemas. No terceiro trimestre, por exemplo, a trajetória de queda de produção na bacia de Campos se agravou e os resultados da empresa no período ficaram abaixo dos números do terceiro trimestre de 2011.

* Com Agência Estado e Reuters