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Montadora se diz penalizada pelas mudanças que impõem limites para a importação de veículos

As novas regras para produção de veículos no Brasil podem levar a Kia Motors a mudar sua estratégia para o mercado brasileiro. A companhia coreana já estuda uma fábrica no país para continuar a ser competitiva por aqui. “A matriz está analisando todas as possibilidades. As empresas de volume, como a Kia, foram muito afetadas com o novo regime automotivo”, disse o presidente da Kia Motors Brasil, José Luiz Gandini.

Segundo o executivo, a cota de 4,8 mil carros importados por ano sem a penalidade de 30 pontos percentuais de Imposto sobre Produtos Importados (IPI) não alivia para quem passar desse teto. “Vendemos cerca de 50 mil carros anualmente no Brasil e caso a matriz não decida pela subsidiária, a Kia terá de mudar o seu perfil no mercado”, disse. “Teremos de reposicionar a marca e trocar o mix de produtos para competir com carros importados.”

Mas, isso tudo depende da definição da matriz. “Queremos continuar competitivos no Brasil e não há riscos da marca deixar o mercado brasileiro”, afirmou Gandini.

A Kia, em 1999, homologou um projeto de uma fábrica no país mas, com a definição do produto que ia ser produzido aqui postergada, a matriz abortou a iniciativa. O grupo importador detinha um terreno na cidade de Salto, no interior de São Paulo, que poderia abrigar a nova fábrica. “Mas para as pretensões atuais, essa área não é suficiente. Para abastecer o mercado brasileiro temos de ter uma fábrica de no mínimo 100 mil unidades”, avaliou. “Espero que isso seja definido o mais rápido possível, porque não podemos dispensar uma rede de mais de 172 mil concessionários e uma história de 20 anos de Brasil”, disse o executivo.

Se o desafio da Kia é grande, outras montadoras se beneficiaram. As chinesas como Jac e Chery, que já anunciaram fábrica no país, foram beneficiadas porque as mudanças ajudam a manter a fatia do mercado já conquistada, até que a produção se inicie no Brasil.

“Já entregamos a documentação para o governo brasileiro e estamos aguardando a habilitação para começarmos a importar os nossos carros dentro da cota sem o IPI maior”, disse o presidente da Chery, Luis Cury.

Pelas novas regras do jogo, as empresas que já anunciaram planos de produzir no país podem importar até 50% de sua capacidade de produção, sendo 25% sem a penalidade do IPI e outros 25% com crédito que será reembolsado assim que a fabricação for iniciada. Dessa forma, a Chery poderá importar até 35 a 40 mil unidades já a partir do ano que vem.

“Não precisamos aumentar o volume de investimentos para nos adequarmos às novas regras. Este ano vamos vender cerca de 20 mil carros.”

O projeto da Chery é de investimento de R$ 600 milhões para uma fábrica com capacidade de 150 mil unidades. A montadora já começou as obras na cidade de Jacareí, no interior de São Paulo, e a conclusão deve acontecer em 2014.

Já a Jac entregou a documentação para a habilitação em outubro e aguarda para o próximo mês a aprovação do governo. O presidente da montadora, Sergio Habib, disse que aprovando a documentação a companhia poderá importar até 25 mil carros no ano que vem. “Temos um limite de 25% da capacidade sem o pagamento do IPI. Mesmo com os créditos, que podemos receber mais rápido, não vamos usar essa alternativa. Não vamos pagar mais IPI”.

O projeto da Jac é para uma fábrica com capacidade de 100 mil carros por ano e os investimentos em torno de R$ 900 milhões. A unidade será instalada em Camaçari, na Bahia, e segundo Habib, as obras começam em novembro com previsão de conclusão em 2014.

“No final daquele ano vamos iniciar a produção. Mesmo com a indefinição do governo e com o aumento do IPI, não paramos os nossos planos.”

Segundo ele, o parque de fornecedores deverá ter em torno de 12 empresas e a Jac pode usar também fabricantes de autopeças da Ford, em Camaçari.

O carro que a companhia vai produzir na Bahia também já foi definido. Segundo o executivo, será um modelo sucessor do J2 e J3. “Vamos produzir uma família dessa plataforma. O primeiro a sair da linha de montagem será um hatch, depois um SUV e um sedã”, afirmou Habib.

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