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Segundo anúncio da própria empresa, os trabalhadores ignoraram o ultimato dado na sexta-feira passada para que voltassem ao trabalho hoje

EFE

A mineradora Gold Fields anunciou nesta terça-feira a demissão de 8.500 trabalhadores das minas sul-africanas em KDC East, perto de Johanesburgo, devido a uma greve ilegal iniciada há dez dias. Segundo anúncio da própria empresa, os trabalhadores ignoraram o ultimato dado na sexta-feira passada para que voltassem ao trabalho hoje.

"Despedimos 8.500 trabalhadores nesta tarde porque não obedeceram ao ultimato que demos na sexta-feira passada", disse o porta-voz da empresa, Sven Lunsche, à agência de notícias sul-africana "Sapa" . No entanto, a companhia garantiu que os trabalhadores demitido têm 24 horas para apresentar recurso contra a demissão e disse esperar que a maioria deles faça isso. Lunsche afirmou que não houve incidentes violentos por causa das demissões, mas que a polícia e os responsáveis pela segurança das minas estão em alerta.

A Gold Fields disse também que um tribunal já declarou a greve como ilegal e ordenou que os trabalhadores voltassem a seus postos, e garantiu que fez uma campanha exaustiva para encorajar os mineiros em greve a obedecerem esta ordem. Há três semanas, outra empresa mineradora anunciou a demissão de 12 mil trabalhadores das minas de platina em Rustenburgo. Eles também tinham iniciado uma greve ilegal.

Mineradores das empresas fizeram um protesto similar ao dos trabalhadores da mina de Lonmin, ocorrido em 10 de agosto em Marikana e que resultou em um aumento salarial de 22%, após seis semanas de braços parados. A sangrenta greve em Marikana, na qual morreram 46 pessoas, 34 delas por disparos da polícia, levou a uma onda de ações sindicais ilegais nas mineradoras da África do Sul, que também se estenderam para o setor de transportes e para uma fábrica de montagem de carros.

O massacre policial de Marikana fez a África do Sul reviver os episódios mais violentos do apartheid, o regime de segregação racial imposto pela minoria branca sul-africana até 1994. O governo estabeleceu uma comissão judicial de investigação sobre os fatos.

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