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Pela primeira vez, o evento brasileiro terá dois lançamentos de veículos globais e contará com vários executivos do primeiro escalão das principais fabricantes mundiais

Agência Estado

A indústria automobilística brasileira quer colocar o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo na liga dos maiores eventos desse tipo, aproximando-o dos tradicionais salões de Frankfurt (Alemanha), Paris (França) e Detroit (EUA), consideradas as maiores mostras de veículos do mundo.

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Pela primeira vez, o salão brasileiro - inaugurado em 1906 e este ano na 27ª edição -, terá dois lançamentos de veículos globais e contará com vários executivos do primeiro escalão das principais fabricantes mundiais como Volkswagen, General Motors e Honda.

O evento deste ano terá participação recorde de 49 marcas e 500 modelos expostos, números próximos ao do Salão de Detroit, o mais importante dos EUA. Tem também a ambição de mostrar ao mundo que "o Brasil sabe fazer carros", conforme define o vice-presidente da GM do Brasil, Marcos Munhoz.

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"O mundo todo vai ver que os 'tupiniquins' também sabem fazer carros e não apenas copiam aqueles desenvolvidos lá fora", diz Munhoz. Ele lembra que este será um dos salões mais internacionais que o País já teve, inclusive com a participação de 300 jornalistas estrangeiros, vindos de todos os continentes.

Em sua opinião, até a última edição, realizada em 2010, o salão brasileiro era considerado pelo mundo automotivo como regional. "O salão deste ano marca uma virada, pois o evento passa a ser mundial", afirma.

Lançamentos

A Volkswagen vai usar o Anhembi para apresentar, em primeira mão, o conceito de um carro mundial que, em breve, será produzido em vários países. A empresa só dará detalhes nesta segunda-feira, quando recebe a imprensa brasileira e a internacional em seu estande.

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No mercado, as apostas são de um utilitário esportivo de pequeno porte, futuro concorrente do EcoSport que será fabricado pela Ford no Brasil, na China e na Tailândia e vendido em mais de 100 países.

O projeto é tão importante que o próprio presidente mundial da Volkswagen, o alemão Martin Winterkorn, está no País para fazer a apresentação. Neste domingo à noite o executivo também participa de evento em que a Volkswagen vai mostrar à imprensa alguns dos próximos lançamentos das várias marcas do grupo, entre os quais o compacto Up!, que deverá ser produzido em São Bernardo do Campo (SP).

Outra montadora alemã, a Mercedes-Benz, também escolheu São Paulo para a apresentação mundial do SLS AMG GT3, edição especial do superesportivo que terá produção exclusiva de apenas cinco unidades, todas numeradas. A número 1 ficará no País e já há interessados. Voltada a colecionadores, custará 450 mil na Europa. No Brasil, o preço não foi revelado.

100% nacional

Entre os modelos desenvolvidos no Brasil e que serão vendidos em outros mercados, o Onix, da GM, é uma das principais novidades das fabricantes locais. O hatch é o primeiro de uma família de veículos que será fabricada na unidade de Gravataí (RS).

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O novo carro só chegará às lojas em 2013 e terá entre os concorrentes o Volkswagen Gol e o Fiat Palio. A GM também mostra, pela primeira vez, o Trailblazer, utilitário que substitui a antiga Blazer e será feito em São José dos Campos (SP).

O anfitrião da marca será o presidente mundial da GM, o americano Dan Akerson, que neste domingo à noite também antecipa à imprensa as novidades da marca que serão vistas pelo público a partir de quarta-feira, quando o salão será aberto ao público às 14h, após cerimônia de inauguração que terá a presença da presidente Dilma Rousseff.

O novo EcoSport, outra cria da indústria nacional, foi lançado recentemente, mas, para a maioria do público que ainda não viu o utilitário de perto, o salão será a oportunidade.

Para André Beer, da André Beer Consult, com a quantidade de empresas que o Brasil está atraindo, e os investimentos feitos pelo setor, "cada vez mais o salão de São Paulo está se equiparando aos internacionais".

O Brasil abriga atualmente 12 fabricantes de automóveis e comerciais leves. Outras três marcas já estão construindo fábricas (Chery, JAC e Suzuki) e nesta segunda-feira a BMW vai confirmar sua entrada no País à presidente Dilma, durante encontro em Brasília. O grupo alemão escolheu Santa Catarina para sua primeira filial fora da Europa, um investimento estimado em aproximadamente US$ 500 milhões.

Ao todo, o setor prevê investimentos de R$ 44 bilhões até 2015, com expectativa de chegar aos R$ 60 bilhões até 2017 com os aportes extras que serão necessários para atingir as metas do novo regime automotivo, segundo informa a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O Inovar-Auto, nome dado ao novo regime, entrará em vigor em 2013 e estabelece benefícios para quem investir em pesquisa, desenvolvimento e engenharia locais. Também impõe padrões mais rígidos de redução de consumo e de emissões para os automóveis brasileiros.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.