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Organizador da maior feira de videogames da América Latina diz que empresas do setor estão de olho nos empreendedores nacionais

Cena do videgame
Divulgação
Cena do videgame "Taikodom", desenvolvido por brasileiros com ferramentas da Sony

Uma nova espécie de vírus dizimou um terço da população terrestre, e como a ocupação do espaço já é comum para a humanidade há pelo menos um milênio, iniciou-se uma disputa por territórios interestelares. A história, que mais parece ter saído de um videogame americano, foi idealizada por desenvolvedores brasileiros, que elaboraram desde a ação espacial até os gráficos complexos utilizados no jogo.

Chamado Taikodom, o game foi lançado em 2008 pela Hoplon Infotainment, empresa fundada em 2000 por Tarqüínio Teles, carioca que foi estudar Engenharia de Produção Civil em Santa Catarina e encontrou na faculdade amigos tão apaixonados por videogames quanto ele. Juntos, fundaram a Hoplon e desenvolveram o primeiro MMOG brasileiro, ou seja, o primeiro videogame online que permite que milhares de jogadores joguem simultaneamente.

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“O Japão é líder imbatível no desenvolvimento de jogos, mas os profissionais brasileiros têm, aos poucos, chamado a atenção de grandes empresas”, diz Guilherme Loureiro, diretor de publicação da Hoplon. “Nós utilizamos o kit de desenvolvimento da Sony e agora vamos tentar ampliar a parceria oferecendo a exclusividade de um novo jogo que criamos.”

Na maioria das vezes, as multinacionais do setor não oferecem aos pequenos empreendedores investimento financeiro, mas sim recursos e intercâmbio de inteligência. “Quando nos interessamos por um desenvolvedor brasileiro, oferecemos nosso know-how”, diz Glauco Rozner, gerente geral comercial da Sony no Brasil.

O setor de videogames cresce 19% ao ano no Brasil. “É um crescimento expressivo que tem motivado as grandes empresas a criarem estratégias específicas para o mercado nacional e a reconhecerem talentos locais”, diz Marcelo Tavares, organizador da maior feira de videogames da América Latina, a Brasil Game Show.

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“Nós estamos lançando jogos com legendas e dublagens em português, são produtos específicos para o mercado brasileiro”, confirma Mark Winntley, gerente de marketing para América Latina da Nintendo. “Também consideramos fabricar alguns produtos por aqui e estamos atentos aos profissionais do país. Há muita paixão por videogame no Brasil”, ressalta.

As grandes empresas estão despejando investimentos no país principalmente porque o jogador brasileiro está mais capitalizado e fugindo da pirataria. A busca por profissionais, no entanto, caminha a passos lentos. “Ainda é difícil conseguir parcerias com empresas como a Sony, Microsoft e Nintendo”, diz Guilherme Loureiro, da Hoplon. “Nós, por exemplo, fomos apadrinhados por um empresário brasileiro e agora que já temos certa estrutura vamos tentar uma parceria maior”.

Por enquanto, a Hoplon já conseguiu a propriedade intelectual do stop-motion “Minhocas”, que será distribuído pela Fox Film. “É um longa produzido por brasileiros que conseguiu espaço em uma grande distribuidora e nós vamos desenvolver jogos para o facebook e aparelhos móveis como parte da divulgação do filme”, diz Loureiro.

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