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Terceira maior petroleira da Rússia, TNK-BP já investiu US$ 280 milhões na Bacia do Solimões

Brasil Econômico

O que leva uma empresa a se deslocar milhares de quilômetros de sua sede, atravessar o Atlântico e investir um bilhão de dólares no coração da Amazônia? A pergunta é prontamente respondida por Alexander Dodds, diretor executivo da TNK-BP, gigante russa da área de petróleo, com faturamento anual de US$ 60 bilhões, que está operando na bacia do Solimões desde março em parceria com o grupo brasileiro HRT. "Temos o objetivo de nos tornar uma empresa global e a atuação em outros países serve para aprimorar nossa capacidade tecnológica e nos tornar mais competitivos na própria Rússia. Depois de abrir frentes de operação na Venezuela e no Vietnam, escolhemos o Brasil. E temos certeza de que essa escolha foi mais do que acertada", afirma o experiente CEO escocês, de 55 anos, que trabalha no setor de óleo e gás há mais de 30 anos, tendo ocupado a presidência da ExxonMobil no Canadá e no Qatar. Na madrugada de terça-feira, Dodds, desembarcou no Rio, acompanhado pelo vice-presidente da área de exploração, Chris Einchcomb, para conhecer a sede da TNK em Copacabana e repassar os últimos detalhes do relacionamento com a brasileira HRT, que ocupa quatro andares do mesmo prédio à beira mar.

Em entrevista exclusiva ao BRASIL ECONÔMICO, Alex Dodds revelou que, dos US$ 1 bilhão relativos à participação de 45% nos 21 blocos da HRT no Solimões, já foram investidos US$ 280 milhões. Além desse montante, cerca de US$ 100 milhões serão aplicados em equipamentos. O que representa, segundo ele, o maior investimento de uma empresa russa no Brasil. Ele garante que a operação tem correspondido aos objetivos da TNK. Até agora, a reserva potencial de gás natural descoberta pela joint venture HRT-TNK na Amazônia já se eleva a 2,7 trilhões de pés cúbicos (TCF), mas poderá subir para 5 trilhões. Em terra, é a maior reserva de gás do país, que no total é estimada entre 10 e 15 TCF. Técnicos de Moscou têm colaborado nos trabalhos de abertura de novos poços pois sua maior experiência é justamente com a exploração on-shore em território russo. “Essa é a nossa especialidade, e que nos faz a terceira maior petroleira da Rússia”, diz Dodds. Uma das raras operações off-shore no histórico do grupo TNK-BP é a do Vietnam.

Exatamente pelo conhecimento em exploração em terra, a empresa russa, embora satisfeita com os resultado do gás, tem grande esperança na produção de óleo na bacia do Solimões. O óleo da região é considerado de excelente qualidade, o mais leve do Brasil. O potencial de reservas projetadas alcança 280 milhões de barris. Em 2013, o grupo HRT-TNK vai perfurar quatro poços, mas prefere não antecipar previsões sobre a produção. Apesar da cautela, o irlandês Chris Einchcomb, com longa trajetória na BP, fala com entusiasmo sobre as perspectivas. “A operação no Solimões é bastante parecida com a exploração na Sibéria, com exceção da temperatura. As dificuldades também são semelhantes. Na Sibéria, temos de esperar o inverno e o rio congelar. Com a camada grossa de gelo os caminhões transportam o material mais pesado. Na Amazônia, parte é movimentada por helicópteros. Mas só podemos usar as balsas na época da cheia dos rios”, explica. As imagens das plataformas nas clareiras na imensidão da Sibéria e da Amazônia confirmam as palavras de Einchcomb.

Alex Dodds também confia no potencial de óleo do Solimões e explica que, enquanto estiver em busca de retorno do investimento na Amazônia, a TNK não pretende participar de novas licitações de blocos pela Petrobras. “O pré-sal está completamente fora de nossos planos. A exploração off-shore não é o nosso foco. Estamos felizes com a operação atual”, diz. Ele faz questão de ressaltar a capacidade técnica dos parceiros da HRT e a preocupação em respeitar todas as exigências ambientais. Segundo Dodds, esta é uma grande preocupação de sua empresa, que também incentiva as atividades de apoio à população ribeirinha. “A HRT tem se saído muito bem tanto na questão ambiental quando nas ações de responsabilidade social”, afirma o inglês, que já havia visitado a Amazônia nos anos 80.

Mostrando que veio de longe para ficar e está disposta, nas palavras de Dodds, a “reduzir a dependência das operações na Rússia”, a TNK já contratou 10 funcionários para a sede de Copacabana, e deve contratar mais 10 até o fim do ano. Seu presidente na operação brasileira foi escolhido a dedo: o americano Mike Morgan é casado com uma brasileira é tem dois filhos. Diante de tanta confiança, pode-se esperar novos investimentos no Brasil? O CEO Dodds sorri e ressalta que US$ 1 bilhão é um desembolso invejável em qualquer lugar do mundo. O vice-presidente faz questão de completar. Segundo ele, no setor de óleo e gás, considera-se que um investimento é bem-sucedido quando se atinge 70% de retorno. É a partir daí que se abrem novas frentes. Os dois executivos da russa TNK-BP vislumbram esse futuro.

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