Tamanho do texto

Cota dificulta importação de peças e fabricante italiana abre produção na cidade de Palhoça, em Santa Catarina, para modelos "tropicalizados" que trazem churrasqueira

Massimo Radice, do estaleiro italiano Sessa Marine
Mayara Teixeira
Massimo Radice, do estaleiro italiano Sessa Marine

Neto do fundador do estaleiro italiano Sessa Marine, Massimo Radice quase não tem problemas com o português. Se expressa bem na língua e não tem medo de falar números. “Vamos investir R$ 15 milhões em uma nova fábrica no Brasil com 5 mil metros quadrados e 60 empregados”, diz ele que é o responsável pelo projeto brasileiro.

No Brasil para a 15ª edição da São Paulo Boat Show, ele e outros fabricantes estrangeiros querem aproveitar o desenvolvimento da economia brasileira para compensar os efeitos da crise de 2008, da qual o segmento ainda não se recuperou totalmente.

Este ano, além da Sessa, o grupo francês Beneteau inaugurou um estaleiro no Brasil, um investimento de R$ 12 milhões. A norte-americana Brunswick também começou a produzir barcos localmente, em uma fábrica de 14 mil metros quadrados em Santa Catarina, “um investimento milionário” .

Massimo Radice explica essa tendência pela dificuldade de importação no país. “Aqui é muito difícil importar peças, custa muito. Para aumentar a cota é preciso produzir internamente”, diz.

A fábrica da Sessa será em Palhoça (SC) e iniciará sua produção a partir de novembro deste ano. É a terceira unidade da marca, as outras duas ficam na Itália. “O Brasil é um mercado importante e Santa Catarina é o centro náutico do país”, diz Radice.

Desde outubro do ano passado, a companhia já produzia algumas embarcações por aqui. Barcos de 27, 36 e 40 pés eram fabricados em parceria com a brasileira Intech Boating também em Santa Catarina. A partir de novembro, a Sessa amplia a parceria e também começa a produzir independentemente no Brasil.

A fibra utilizada na produção será brasileira, porém outros insumos como madeira e acessários serão importados da Itália. Para vender mais por aqui, a Sessa “tropicalizou” seus modelos. “O brasileiro gosta mais de ficar na parte de fora do barco, mudamos a modelagem de acordo com esse hábito e inserimos uma churrasqueira”, diz Antônio Galízio Neto, diretor da Sessa Brasil.

Em 2011, a Sessa vendeu 35 barcos no Brasil, o que corresponde a R$ 25 milhões. Neste ano, a expectativa é vender entre 40 e 45 modelos, ou R$ 40 milhões. O barco mais luxuoso comercializado pela empresa é o FLY45, com 45 pés, três cabines, cozinha e banheiros com duchas individuais. Ele custa R$ 2,8 milhões e pode ser equipado de acordo com os desejos do cliente.