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Para especialista, medida vai prejudicar exportações, sobretudo para a Argentina

Funcionários trabalham na nova ala de pintura das carrocerias da fábrica da Volkswagen na Rodovia Anchieta, em São Bernardo, no  ABC Paulista
AE/PAULO PINTO
Funcionários trabalham na nova ala de pintura das carrocerias da fábrica da Volkswagen na Rodovia Anchieta, em São Bernardo, no ABC Paulista

O novo regime automotivo brasileiro, que prevê entre outras coisas aumentar a eficiência energética dos veículos — menor emissão de poluentes e menor gasto de combustível — vai pesar no custo de produção do carro no Brasil. Segundo Francisco Satkunas, diretor da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), os avanços prometidos pelo novo regime podem encarecer a produção do veículo em até R$ 6 mil.

Satkunas espera que o repasse para o consumidor final seja menor, mas o aumento no preço de fábrica pode colocar em xeque o futuro das exportações do setor, principalmente para a Argentina, que comprou US$ 3,6 bilhões do Brasil em 2011. “Será viável exportar um carro muito mais caro para o mercado argentino?”, questiona o consultor.

Ele argumenta que, no país vizinho, os requisitos tecnológicos serão menores, o que não justificam importações de um artigo superior à exigência nacional. “Teremos produtos adequados para cada mercado? Será mais fácil para as grandes montadoras, que já possuem fábricas lá e que são tão avançadas quanto as daqui, produzirem os carros para o mercado local”, explica o consultor.

Atualmente, 82% das exportações de carros de passeio e comerciais leves têm como destino o parceiro do Mercosul.

Montadoras e associações do setor que foram procuradas preferiram aguardar a publicação das regras do novo regime para se pronunciarem.

Maximiliano Scarlan, economista da consultoria argentina Abeceb, espera uma mudança no perfil das exportações. Ao invés de enviar veículos acabados, o padrão será o embarque de partes e peças. “Continuará acontecendo um processo de integração produtiva. Veículos acabados sofrerão algum impacto no longo prazo, mas isso ainda é impossível quantificar.”

O economista também afirma que a Argentina deve seguir os passos do Brasil e formular novas regras para o setor, com metas e prazos para produção nacional e eficiência energética. “O que puxa o mercado argentino é o crescimento do Brasil. Novas normas precisarão ser formuladas para que a Argentina possa acompanhar também o desenvolvimento tecnológico do parceiro comercial”, afirma Scarlan.

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