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Unidade de Joinville, em Santa Catarina, tem capacidade para fabricar até 400 unidades por ano e deverá concluir a produção da primeira em outubro

O Brunswick Boat Group, um das maiores fabricantes mundiais de barcos de lazer, iniciou neste mês de setembro a produção no Brasil. Construída em Joinville, Santa Catarina, a fábrica custou cerca de R$ 45 milhões (US$ 22 milhões), tem 14 mil metros quadrados e capacidade para produzir até 400 barcos por ano, afirma Jeff Behan, presidente da Bayliner, uma das marcas do grupo. “Treinamos o pessoal que contratamos por algumas semanas e teremos o primeiro barco pronto em outubro”, diz o executivo, que está no Brasil para evento do setor.

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A investida do grupo Brunswick no país tem como pano de fundo o rápido crescimento do mercado brasileiro, e um cenário de declínio das vendas na Europa e de estagnação nos EUA. Diferente do que acontece lá fora, o Brasil vê, há sete anos, crescimento anual de 10% a 15%, afirma Jorge Valdes, gerente geral da divisão de barcos da Brunswick para o Brasil. E as perspectivas são de que continue a crescer em ritmo acelerado nos próximos anos.

Segundo Behan, o mercado brasileiro é visto hoje como um dos mercados de maior potencial no mundo. Valdes acrescenta que não existem estatísticas confiáveis, mas nas estimativas da companhia seria de 600 a 700 unidades por ano, só de barcos de lazer. “É comparável em tamanho ao dos Estados Unidos neste segmento. E o mercado dos Estados Unidos é o maior do mundo. Por isso, o Brasil é muito importante para nós”, afirma Behan.

A unidade de Joinville vai produzir barcos de lazer das duas principais marcas da companhia, que é dona de mais de quase 20. Uma delas é a Bayliner, de barcos menores, com 13 a 23 pés de comprimento e perco a partir de R$ 50 mil. O primeiro barco que será finalizado em outubro, por exemplo, é da marca. A outra marca é a Sea Ray, que tem embarcações com tamanhos a partir de 23 pés, que podem chegar facilmente a casa dos R$ 8 milhões.

Inicialmente serão produzidos três modelos de cada uma delas – no mundo, a Bayliner tem 17 e, a Sea Ray, 38 –, com tamanho variando de 23 a 41 pés e, o preço, de R$ 320 mil a R$ 1,4 milhão. “Em um curto espaço de tempo”, a ideia é ter ao menos seis modelos saindo das linhas de produção brasileiras com a marca Bayliner e até cinco com a Sea Ray. “Vai depender do que for comprado. Somos extremamente flexíveis”, afirma Rob Parmentier, presidente da Sea Ray.

Behan acha difícil dizer quanto o grupo conseguirá vender ao ano no Brasil “nesta etapa” do processo de entrada no Brasil. No ano passado, segundo Valdes, a companhia comercializou cerca de cem unidades no país. “Mas vemos o Brasil como a principal oportunidade de crescimento de nossas marcas no mundo”, diz Behan. “A questão é quão rápido vamos alcançar nosso limite de produção. Mas estamos confiantes que é questão de tempo”. Em todo o mundo, o grupo vendeu em barcos pouco mais de R$ 2 bilhões (US$ 1 bilhão).

A São Paulo Boat Show, um dos motivos da vinda de Behan e Parmentier ao Brasil nesta semana – os dois ficam baseados nos Estados Unidos –, é vista como um termômetro. “Temos bastante pedidos, já. Mas é a aqui que realmente começa a temporada de vendas. É o que vai determinar como vamos começar o ano. Estamos começando o processo”, diz Behan.

A feira é vista pelo grupo também como oportunidade de identificar demandas específicas do mercado brasileiro. Em linhas gerais, os barcos são os mesmos que os vendidos em outros países. Mas, segundo Valdes, há pequenas diferenças importantes. No Brasil, uma demanda comum é por churrasqueira com pia de cozinha no deck, por exemplo.

Além do mercado local, a unidade brasileira servirá em alguns anos para atender também outros mercados importantes da América do Sul para o grupo, como o Chile, a Argentina e a Colômbia. O nível de nacionalização deverá variar entre 60% e 70%, diz Valdes.