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Aposta em mais conforto para passageiros e nos modernos aviões A380 e 777 ou 787 Dreamliner da Boeing fazem empresas ganharem a dianteira em relação às tradicionais americanas e europeias

Crescer em um mercado dominado por companhias aéreas americanas e europeias não é tarefa fácil. No entanto, com investimento em aviões modernos e a aposta em serviços diferenciados, as empresas do Oriente Médio e da Ásia têm conseguido conquistar cada vez mais market share e “roubar” passageiros acostumados a viajar nas concorrentes do Ocidente.

Com dinheiro em caixa, fruto de uma combinação de acesso a combustível mais barato e apoio governamental, as asiáticas e do Oriente Médio podem investir em uma frota nova, e, não à toa, são algumas das principais compradoras das mais modernas aeronaves já fabricadas: o A380, da Airbus, e as famílias 787 Dreamliner e 777 da Boeing.

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“Elas fazem rotas de longa distância e alta densidade e, por isso, precisam de mega-aviões. Já as americanas e europeias têm frotas antigas e sistemas operacionais não condizentes com os novos”, ressalta Barbieri Ferreira, da Unicamp. “Elas oferecem um nível superior de serviço. A comparação da primeira classe e da classe executiva não tem igual em relação às companhias ocidentais”, complementa Uras.

“É uma estratégia de marketing. Pouca gente acaba de fato voando na cabine privativa, com cama queen size ou usando o serviço personalizado”, afirma. “Elas se vendem por conta do serviço, enquanto as ocidentais se vendem forte por conta de eficiência e preço”, diz o especialista da Ernst & Young Terco.

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“As empresas ocidentais operam com margens estreitas. Você viaja em um avião no qual mal consegue cruzar as pernas, a distribuição das poltronas dentro do avião é ruim por causa do tamanho da classe executiva”, comenta Luciano Sampaio, sócio da PwC Brasil e especialista no setor aeroespacial. “As companhias do Oriente Médio e da Ásia oferecem uma poltrona mais espaçosa, o que agrega valor e fideliza o cliente”, ressalta.

Além do conforto, o investimento em refeições elaboradas por chefs e a aposta em uma programação variada para entreter os passageiros durante as longas horas de voo também surgem como um diferencial dessas empresas.

No Brasil

Atualmente, apenas quarto das dez melhores aéreas do mundo atuam no Brasil: Qatar Airways, Singapore Airlines, Turkish Airlines e Emirates. A partir de junho do ano que vem, a Etihad se juntará a esse time. Segundo César Floreste, responsável pela área de Marketing and Sales da All Nippon Airways existe um projeto para a empresa voar ao País, mas ainda sem muitos detalhes. A companhia já opera em sistema de compartilhamento de voos com a TAM, mas via Londres.

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Graças ao programa Star Alliance, a TAM possui também parcerias de compartilhamento de voo com a Asiana Airlines e com a Thai Airways. A Thai também tem com a Gol um contrato de interline, pelo qual o passageiro pode reservar voo em companhias aéreas parceiras para fazer um itinerário que inclui cidades não operadas por uma só empresa. Com essa aliança, o viajante só faz um check-in, e a bagagem despachada segue para o destino final.

A Cathay Pacific possui programa de compartilhamento de voo com a American Airlines via Nova York, pelo aeroporto internacional John F. Kennedy. A Malaysia Airlines é a única que não tem acordo de codeshare com outras companhias aéreas nacionais ou internacionais e que, por isso, não voa para o Brasil.

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Para receber todas essas aéreas, o Brasil precisa melhorar a infraestrutura e expandir as pistas, afirma Uras. “É preciso mais aeroportos também. Tenho a impressão de que vai demorar para receber essas aeronaves maiores e essas companhias”, afirma.