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De acordo com a presidente da estatal, Graça Foster, área jurídica da companhia estuda que medidas tomar caso a empresa envolvida no acidente da Chevron tenha que deixar o Brasil

A Petrobras pode atuar judicialmente para evitar que a operadora Transocean seja expulsa do país, como determinou a Justiça do Rio de Janeiro em liminar. De acordo com a presidenta da estatal de petróleo brasileira, Graça Foster, o departamento jurídico da companhia está acompanhando o caso atentamente para decidir que decisão tomar. A Petrobras tem oito sondas da empresa americana contratadas para operar no Brasil.

No início da semana a Agência Nacional de Petróleo (ANP) entrou com um recurso junto à corte especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a anulação da liminar que impede a  companhia de atuar em território nacional. A Transocean foi a companhia contratada pela Chevron para fazer as perfurações no Campo de Frade, na Bacia de Campos, onde em novembro do ano passado ocorreu um vazamento de mais de 3,5 mil barris de petróleo.

“A Petrobras está ao lado da Transocean”, afirmou Graça Foster no início da noite desta quinta-feira. De acordo com ela, a companhia está estudando a melhor forma de atuar junto à Justiça para evitar que a Transocean tenha mesmo que deixar o País. “Vamos atuar de uma forma ou de outra, nossa posição é de apoio à Transocean.

Tanta preocupação com o futuro da empresa que esteve envolvida no vazamento da Chevron no ano passado se explica pela escassez de sondas marítimas no mercado. Hoje 78 equipamentos de perfuração como os fornecidos e operados pela Transocean estão em atuação no Brasil. A companhia é dona de 10 delas.

A diretora-geral da ANP, Magda Chambriand, chegou afirmar que se a Transocean deixar, de fato, o Brasil, haverá queda na produção de petróleo, com impacto direto na balança comercial brasileira. “Haverá um apagão de sondas, e se elas saírem do país, com o mercado aquecido como está, será muito difícil traze-las de volta”. A ANP considera que a Transocean não teve responsabilidade no acidente.

Graça Foster não quis detalhar os planos de contingenciamento que a estatal está desenhando para o caso de ter que abrir mão desses equipamentos. “Na verdade, não gosto nem de pensar nessa hipótese”, afirmou a executiva. “Mas é um risco que temos que considerar e se isso acontecer vai causar impacto e comprometer uma sequência de atividades”, disse.