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Montadoras reclamam que base de fornecedores também precisa investir para garantir índice de nacionalização

O Brasil vai ganhar duas novidades nos próximos anos. A Iveco Latin America e a Volvo Latin America vão lançar no país modelos desenvolvidos para o mercado europeu. Com essa movimentação, as duas companhias já informaram que terão que investir na capacidade de produção em suas fábricas no Brasil. O presidente mundial da italiana Iveco, Alfredo Altavilla, disse que a montadora vai aplicar nas operações no mundo ¤ 1 bilhão entre 2012 a 2014, grande parte desses recursos no mercado brasileiro.

“Vamos continuar investindo no Brasil, mas o mercado tem que provar que merece esses recursos. Hoje, as vendas não justificam investimentos no país. O mercado melhorando, como acreditamos que isso vá acontecer, a operação será contemplada”, disse Altavilla. O último ciclo de investimentos da montadora no Brasil foi de R$ 570 milhões entre 2009 a 2011.

Nesse novo programa, segundo Altavilla, a companhia vai investir na fábrica de blindados, ao custo de R$ 55 milhões, no desenvolvimento da nova Daily (com versões furgão e caminhão leve) e o novo Stralis Hi-Way. Esse modelo foi lançado na Europa e deverá ser vendido no Brasil já em 2013.

É nesse modelo que a companhia terá de realizar a maior parte dos recursos. O caminhão é totalmente novo, inclusive com componentes que não há no Stralis Ecoline que a Iveco vende no Brasil. Ele terá mais eficiência com uma aerodinâmica diferente o que vai proporcionar economia de combustível.

“Temos que desenvolver uma cadeia de fornecedores para atender as normas de índice de nacionalização. Vamos investir, mas os fabricantes de autopeças tem que seguir essa postura e aplicar recursos na operação”, reclamou o executivo.

Com o novo regime automotivo, as regras para se obter o índice de nacionalização dos veículos no país irá mudar. Há muita discussão se o conteúdo terá que ser calculado sobre o custo dos componentes. Hoje, o índice é sobre o preço do veículo. Em caminhões, o mínimo permitido é 65% para o modelo poder ser financiado pela linha Finame do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A Man Latin America já segue no projeto de nacionalizar os componentes de seu caminhão extrapesado, o TGX. O modelo já é montado em Resende mas ainda está com 45% de índice de nacionalização. Já a Volvo espera concluir o desenvolvimento da base de fornecedores para levar nova linha de caminhões para o Brasil. O vice-presidente global de marcas, Ricard Fritz, disse que a empresa já definiu quanto será investido no país para a introdução da nova linha de caminhões pesados FH.

A nova linha será fabricada em Curitiba e vai substituir os caminhões comercializados hoje no mercado. Segundo o presidente da Volvo Latin America, Roger Alm, a empresa vai começar o projeto de nacionalização dos componentes para a produção dos novos modelos da linha FH. “Isso para atender a legislação brasileira. Não é somente uma renovação de cabine, por isso, vai demandar um grande esforço de nacionalização das peças.”. A Volvo hoje atinge o índice necessário para o financiamento do BNDES, que é de 65% de conteúdo. “A base de fornecedores está garantida.”

O último plano de investimentos da montadora no Brasil foi de US$ 250 milhões, que incluiu a ampliação da pintura de cabines, a fábrica de caixa de câmbio automática e novos produtos. Os recursos foram gastos de 2009 a 2011. “Vamos informar os investimentos para cada produto assim que for lançado. ”, explicou Alm.

Além dos investimentos para a produção da nova linha de caminhões, a Volvo também prepara a entrada de uma nova marca do grupo no país. A montadora tem sob o seu “chapéu” a Renault Trucks, UD (antiga Nissan) e a americana Mac. “Estamos estudando para ver se existe espaço para uma nova marca”, disse Alm sem revelar qual das três pode ser.

Dentro da estrutura da Volvo, a aposta do mercado é que a montadora levaria para o mercado brasileiro a linha de caminhões leves da Renault. Assim, a Volvo seria forte concorrente da Mercedes-Benz, Man Latin America, Iveco e Ford, as únicas que tem veículos nesse segmento no país.

“Vamos crescer muito além disso no Brasil. E para sustentar esse aumento precisamos de uma rede de revendas forte. Em três anos o plano é abrir 10 concessionárias por ano”, disse Alm. Atualmente, a montadora tem 83 pontos de venda no Brasil.

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