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Presidenta da Petrobras afirmou que companhia vai romper contratos se as embarcações não forem entregues a tempo; empresa encomendou 137 embarcações por US$ 107 bilhões

Marias das Graças Silva Foster, presidente da Petrobras, durante encerramento da Rio Oil & Gas
AGÊNCIA PETROBRAS
Marias das Graças Silva Foster, presidente da Petrobras, durante encerramento da Rio Oil & Gas

A presidente da Petrobras, Graça Foster, usou sua palestra de encerramento na 30 edição da conferência Rio Oil & Gas no fim da tarde desta quinta-feira para enviar um duro recado aos estaleiros brasileiros que estão construindo mais de 100 embarcações para a estatal brasileira. De acordo com ela, a companhia não irá mais tolerar atrasos por parte dos estaleiros. “Nós vamos encerrar contratos, não vamos esperar atrasar”, afirmou a executiva.

A Petrobras tem uma encomenda de 137 embarcações junto a 10 estaleiros brasileiros, num volume total de recursos estimado na casa dos US$ 107 bilhões. A companhia espera receber, até 2020, 38 plataformas de produção, 50 novas sondas de exploração e 49 navios para transporte.

“Atrasos significam redução na nossa curva de produção e não podemos admitir isso”, disse. A Petrobras espera ampliar a produção de petróleo em mais de 100% nos próximos 8 anos, saindo de cerca de 2 milhões de barris diários hoje para 4,2 milhões de barris/dia em 2020.

A companhia já enfrentou uma tremenda dor de cabeça com os primeiros navios contratados junto aos estaleiros brasileiros. O caso mais emblemático foi o do navio João Cândido , construído pelo estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. Envolvido em uma série de problemas, com acusações de falhas de engenharia, o navio foi entregue 21 meses após a data prevista .

Graça Foster não citou o caso do Atlântico Sul, mas deixou claro que a companhia está acompanhando de perto o trabalho no estaleiro pernambucano. “O Figueiredo já está até ficando com sotaque de tanto ir lá”, disse ela, referindo-se a José Figueiredo, diretor de Engenharia e Tecnologia da estatal.

A Petrobras também adotou uma rotina de acompanhamento detalhado das obras. Mensalmente uma equipe se reúne para avaliar como estão cada um dos projetos em andamento. “Não queremos cobrar multa, queremos o que encomendamos”, disse ela, para, ao final, comparar-se ao personagem principal do filme Tropa de Elite. “O capitão Nascimento aqui não é fácil”.