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Daten e Megaware projetam crescimento acima de 20% mesmo com concorrência com as multinacionais

O mercado nacional de PCs, o terceiro maior do mundo, tem chamado cada vez mais a atenção das multinacionais. A compra da brasileira CCE pela chinesa Lenovo, neste mês, é um exemplo do crescimento do interesse das grandes empresas internacionais neste segmento no Brasil. Em um cenário cada vez mais dependente de grandes escalas para manter preços competitivos, companhias nacionais de pequeno e médio porte ainda encontram espaço para seguirem sozinhas, principalmente na área de desktops e vendas para o governo.

Segundo a consultoria IDC, as fabricantes nacionais são responsáveis por 29% das vendas de computadores de mesa do país, enquanto as multinacionais respondem por 21%. Os outros 60% são vendas no chamado “mercado cinza”, de PCs sem marca. A vantagem sobre as fabricantes internacionais só ocorre em países como o Brasil e a Turquia, que possuem um líder local.

De acordo com Attila Belavary, analista da IDC, enquanto as internacionais optam por investir em produtos em ascensão no mundo, com os quais conseguem ter mais volume global, sobra espaço para as brasileiras no mercado de desktops. Apesar de estar em declínio por conta do crescimento dos notebooks, as vendas deste tipo de equipamento ainda representam 45% do total vendido no país, ou seja, cerca de 3,5 milhões de unidades só no primeiro semestre.

“Todo mundo vem falando há oito anos que o desktop vai acabar mas isso não é realidade no Brasil”, diz o diretor de operações da fabricante nacional Megaware, Camilo Stefanelli. A companhia, que tem fábrica em Belo Horizonte, espera crescer 33% no segundo semestre mesmo com a forte concorrência com as multinacionais. Com 80% das vendas voltadas para o varejo, a empresa aposta na capacidade de distribuição como um de seus diferenciais diante das gigantes do mercado.

“As brasileiras ainda conseguem ter grande presença nos pequenos varejos, principalmente em regiões como o Norte e Nordeste”, afirma Belavary. Mesmo assim, Stefanelli diz que “todos os dias penso em maneiras de driblar a força financeira das internacionais”. E para os analistas, a concorrência ficará cada vez mais acirrada. “Vai ficar muito difícil competir com empresas que têm estruturas produtivas como a da Lenovo, por exemplo. A tendência é haver cada vez menos empresas locais”, avalia Fernando Belfort, analista da Frost & Sullivan.

Neste cenário, Cristian Dunce, presidente da Daten Tecnologia, brasileira com fábrica em Ilhéus (BA), prevê ao menos mais dois grandes processos de fusão ou aquisição envolvendo grandes empresas nacionais de PCs. Para driblar a briga com as gigantes, a Daten optou por focar no mercado de governo, para o qual são direcionadas 80% das vendas da empresa.

“Diante da briga acirrada por preços, procuramos um nicho para sobreviver”, diz. Para ele, algumas fabricantes têm entrado na briga por mercado mesmo que isso signifique diminuição das margens de lucro, mas este não é o caso da Daten.

A brasileira Positivo, líder de mercado, é um exemplo de empresa que está com a lucratividade em queda. O lucro líquido da companhia caiu de R$ 9,5 milhões no segundo trimestre de 2011 para R$ 2,3 milhões, um dos reflexos da necessidade de aperto das margens. Segundo seu relatório de resultados, o Brasil apresentou nível de demanda inferior ao esperado no período, influenciado pelo desaquecimento da economia.

A IDC concorda: segundo a consultoria, o mercado nacional de PCs demonstrou sinais de desaceleração neste ano, e atingiu um total de 7,8 milhões de computadores comercializados no primeiro semestre, crescimento de 2% em relação ao primeiro semestre de 2011. Em previsões realizadas no início do ano, a expectativa era de um aumento de 7%.

Mesmo no cenário de desaquecimento e de grande ofensiva das multinacionais, a brasileira consegue se manter como líder há sete anos consecutivos, segundo o IDC. Agora, a empresa terá que enfrentar a sede da chinesa Lenovo que, junto com a CCE, vislumbra chegar ao topo do ranking de PCs em três anos no Brasil. As duas companhias juntas possuem 7% do mercado atualmente. 

Aumenta a importância do sistema operacional

“O Windows 8 é a coisa mais importante que fizemos.” A frase que tem sido proferida com frequência por Steve Ballmer, CEO da Microsoft, dá sinal de como o novo sistema operacional deve o mercado de PCs e tablets. Para analistas e fabricantes, o lançamento vai enfatizar a tendência de que os sistemas passem a ser o ponto crucial na escolha dos consumidores, no lugar do hardware.

Isso quer dizer que, com os PCs, tablets e smartphones virando uma “commodity”, o que vai contar na hora de definir qual é o dispositivo ideal será a plataforma. “O que conta é a experiência do usuário. O cliente que usa o iTunes não vai deixar de comprar Apple por conta de especificações técnicas dos aparelhos”, explica Fernando Belfort, analista da Frost & Sullivan. Da mesma forma, quem optar por usar Windows, tende a escolher o mesmo “ecossistema” em todos os dispositivos.

É aí que a briga entre Microsof e Apple vai ficar mais acirrada. Steve Ballmer tentará integrar aquilo que é visto nos PCs com o sistema que é executado em tablets e smartphones. A grande base de usuários do Windows em desktops e notebooks pode ser um diferencial para que o público opte por um tablet ou smartphone com o mesmo sistema na hora de decidir a compra de um produto. A estratégia foi iniciada pela Apple, que já vem integrando o Iphone e o iPad ao sistema usados em seus PCs.

Lançamento

O lançamento mundial do Windows 8 acontecerá em 25 de outubro e a Lenovo já confirmou para a mesma data o lançamento de seu tablet com o novo sistema operacional da Microsoft no Brasil, o YdeaPad Yoga. A loja virtual do Windows 8 já foi liberada no início do mês para no Brasil para que os desenvolvedores locais possam submeter seus aplicativos.

Como parte da estratégia, a disponibilização do tablet Surface, da Microsoft, deve acontecer logo após o lançamento do Windows 8. Esta é a aposta da companhia para competir com o iPad, da Apple, atual líder de mercado. 

Mercado de tablets segue aquecido, com novos competidores e tendências

Enquanto o mercado de PCs no Brasil atinge a maturidade, as vendas de tablets começam a se aquecer. Segundo previsão da consultoria IDC, devem ser vendidos 2,5 milhões de tablets no Brasil este ano, três vezes mais do que em 2011.Para 2013, a previsão é de que sejam 4 milhões. E, segundo estimativas de analistas, a expectativa é que o segmento de tablets continue a crescer por uns bons anos ainda.

A expansão do número de usuários serviu de estímulo para a entrada de novos competidores. No fim do primeiro trimestre deste ano, 20 empresas buscavam o mercado brasileiro de tablets. Um ano antes, eram apenas quatro. Boa parte dessas companhias é brasileira, como a Multilaser, a DL, a Braox e a Gradiente. “Em geral, elas buscam ocupar faixas de público e preço não explorados pela Apple”, afirma Attila Belavary, analista do IDC. Em breve, outras devem entrar na disputa com a empresa comandada por Tim Cook. Conforme antecipado pelo BRASIL ECONÔMICO no início deste mês, a Tectoy é uma das que preparam a produção de tablets na fábrica em Manaus.

Enquanto o mercado não se consolida, os competidores buscam os próprios formatos para conquistar espaço e novas tendências surgem a todo momento. Uma das mais fortes é a dos tablets híbridos, que, quando acoplados a um teclado, se convertem em um notebook.

A Asus, por exemplo, anunciou ontem que irá disponibilizar no Brasil o modelo híbrido Transformer Pad TF300. Com teclado removível, ele será importado e ainda não tem preço definido, mas deve chegar às lojas brasileiras até novembro, para o Natal. Outra fabricante, a Lenovo, promete para outubro o seu YdeaPad Yoga, outro tablet que também se converte em notebook. O lançamento será feito junto com o Windows 8, sistema operacional do dispositivo.

Essa versatilidade tem relação direta com uma barreira cada vez menor entre os tablets pessoais e corporativos. Em um movimento conhecido como “bring your own device” (traga o próprio dispositivo, em português), muitas empresas permitem que seus funcionários trabalhem com os equipamentos pessoais, ao invés de usar os da companhia.

Não há dados precisos sobre esse movimento no Brasil, mas pesquisa recente do Gartner apontou que 15% dos tablets vendidos este ano em todo o mundo devem ter como destino as empresas, seja por iniciativa dos departamentos de TI ou dos próprios funcionários. Em 2015, este número deverá aumentar para 35%. “Essa mudança de paradigmas representa uma grande ameaça para os fabricantes que focaram sua estratégia no mercado corporativo, porque agora eles terão que atrair também o consumidor final”, disse, no relatório de divulgação do estudo, Carolina Milanesi, vice-presidente de pesquisa do Gartner.

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