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Schulz já tem três unidades fabris no país, mas esse será o primeiro investimento dedicado exclusivamente para a extração de petróleo em águas profundas

O grupo alemão Schulz, um fabricante mundial de tubulações para o mercado de petróleo e gás, vai construir uma quarta unidade produtiva no Brasil, com investimento estimado de R$ 60 milhões. A fábrica, que será construída em Campos dos Goytacazes, na região Norte do estado do Rio de Janeiro, será a primeira da companhia no país voltada exclusivamente para a exploração de petróleo na camada do pré-sal. Prevista para entrar em operação no segundo semestre do ano que vem, a unidade vai produzir uma tubulação específica para a operação em águas profundas, conhecido como tubo BMS.

A nova fábrica será capaz de produzir 70 mil metros de tubos por ano e começa a ser construída em 45 dias. A expectativa da Schulz é de que haja demanda no setor para toda a produção da unidade. Os tubos são usados na ligação entre o solo marinho e as plataformas. Por ele podem passar tanto o petróleo e o gás que são extraídos dos campos, como também a água, a argila e outros materiais que são bombeados para dentro do solo para que se crie a pressão necessária para a saída do combustível. As outras três unidades produtivas da empresa no Brasil fabricam tubos que são usados nas plataformas, acima da lâmina d’água.

De acordo Marcelo Bueno, presidente da companhia para a América Latina, a nova fábrica vai produzir as tubulações com mais de 60% de conteúdo nacional. “Além disso, estamos próximos do novo Porto de Açu e do maior centro de produção de petróleo do país”, disse.

Apesar do otimismo quanto a demanda, a Schulz, como a maior parte das empresas do setor, está preocupada com a demora do governo em conceder novas licitações de exploração de petróleo e gás no país. “Ficamos preocupados com o hiato que está se criando”, diz Marcelo Bueno. “Já são vários anos sem novas rodadas de leilões e nós sabemos que haverá uma queda na demanda de equipamentos para o setor de petróleo e gás”, diz ele.

Por conta disso, a Schulz decidiu construir uma fábrica que possa ser convertida rapidamente para produzir outros produtos que os tubos BMS. De acordo com Marcelo Bueno, se houver uma queda muito acentuada na demanda, a fábrica pode começar a produzir rapidamente tubulações para serem exportadas. “Teremos capacidade de ampliar o diâmetro dos tubos e oferecê-los às empresas do Oriente Médio para serem usados na construção de tubulações de transporte de petróleo”, disse o executivo, que alterou, na tarde desta terça-feira, momentos de euforia e frustração.

Ao saber que o ministro Edison Lobão havia anunciado para maio a 11ª rodada de leilões da Agência Nacional do Petróleo , Marcelo Bueno, comemorou muito. “Ontem mesmo recebemos um banho de água fria do Ministério de Minas e Energia por não dar nenhum indicativo de quando seria a próxima rodada”, disse, pouco antes de saber que os leilões só aconteceriam se o Congresso conseguir aprovar até o fim a lei que definirá a partilha dos royalties. “Na prática, não muda nada então, é só mais uma promessa”, disse, desapontado.