Tamanho do texto

Com Copa e Olimpíada no Brasil nos próximos anos, companhia quer aumentar projetos de inovação para atendimento ao cidadão, como o Centro de Controle de Operações, no Rio

A IBM espera que a receita proveniente de projetos ligados ao conceito de “cidades inteligentes” chegue a US$ 10 bilhões até 2015. A área inclui iniciativas voltadas para uso da tecnologia no atendimento aos cidadãos, focadas no aumento de eficiência de entidades e empresas. Neste cenário, os mercados em crescimento, como o Brasil e a China, estão no centro da estratégia da multinacional, segundo o novo presidente da empresa no Brasil, Rodrigo Kede.

Segundo ele, que assumiu o cargo em julho, a receita proveniente dos negócios que envolvem iniciativas deste tipo teve crescimento global de 47% em 2011. Um dos exemplos de projetos é o da cidade de Nova Iorque, na qual os índices de criminalidade tiveram uma redução de 27% com o uso soluções de análise de informação em tempo real. “No Brasil, com a chegada dos eventos esportivos, projetos de segurança pública, controle de tráfego e gestão de cidades se tornam mais críticos”, diz o executivo.

Kede quer aproveitar os investimentos em infraestrutura que a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 vão gerar para ampliar a presença da IBM em projetos deste tipo no país. Para isso, a empresa conta com um portfólio que inclui a criação do Centro de Operações do Rio de Janeiro, que interconecta informações de diversos órgãos públicos para melhorar a capacidade de resposta da prefeitura a vários tipos de incidentes, como enchentes e deslizamentos.

O Centro tem capacidade para cruzar informações e fazer a previsão do tempo para um raio de um quilômetro com 48 horas de antecedência, podendo emitir alertas para os moradores em caso de previsão de desastres. É neste tipo de inteligência artificial que a IBM aposta para alcançar o faturamento esperado para a área, com foco nos países emergentes, onde a necessidade de infraestrutura é maior.

Outras áreas

Outras áreas, como a de computação em nuvem, também estão no foco da companhia. A IBM já investiu mais de US$3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento e aquisições para construir um portfólio neste segmento. A expectativa é que a receita de cloud computing chegue a US$7 bilhões até 2015.

Outra área que está entre as prioridades é análise de dados (Business Analytics). Isso porque o mundo hoje está recebendo informações como nunca aconteceu antes, e todas essas informações não consistem apenas de textos e números, incluem também todos os tipos de mídia sofisticada (vídeo, áudio até imagens). O objetivo é transformar estes dados em conhecimento útil para as empresas por meio de modelos matemáticos sofisticados.

Para se ter uma ideia da importância desta área para a IBM, a empresa investiu mais de US$ 14 bilhões para comprar 24 companhias nos últimos cinco anos e espera faturar US$16 bilhões com as vendas neste segmento até 2015. “A gestão da informação será um diferencial competitivo daqui para a frente, pois as empresas precisam prever o comportamento do cliente”, diz Kede.

No Brasil, uma das usuárias da tecnologia é a Caixa Econômica Federal, que fez uma parceria com a IBM para conseguir dar mais agilidade nas contratações de financiamentos habitacionais, principalmente por conta do programa governamental Minha Casa Minha Vida. O projeto também prevê o acompanhamento do pedido de crédito via internet e celular. n

Empresa aplicou R$ 12 milhões em 2011 em projetos de treinamento de funcionários

Na IBM, a receita proveniente dos mercados em crescimento, grupo que engloba o Brasil e mais 150 países, cresceu 16% no ano passado, mas a expectativa é que o percentual chegue a 30% da receita global até 2015. Nos países que fazem parte do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o incremento na receita foi ainda maior em 2011: 19%.

Com o crescimento, o Brasil tem atraído a atenção e investimentos da matriz. Em 2011, por exemplo, a empresa aplicou cerca de R$ 12 milhões (US$ 6 milhões) em programas de treinamento e desenvolvimento de funcionários como, por exemplo, aulas de liderança e ensino de idiomas.

Para quem acredita que a centenária IBM seja muito conservadora na gestão de pessoas, Kede garante que a companhia “é mais informal que muitas empresas de internet”. “Aqui todo mundo tem acesso a mim. É uma das empresas menos hierárquicas que eu conheço”, diz o executivo, que é o mais jovem a assumir a presidência da companhia no Brasil, aos 40 anos.

Carreira

Kede iniciou sua carreira como estagiário, no escritório da IBM do Rio de Janeiro, e permaneceu na empresa por quase vinte anos até ser nomeado presidente da subsidiária brasileira. Aos 30, o executivo já tinha morado fora do Brasil por três vezes à trabalho. “A IBM tem uma política de inovação arrojada e agressiva, foi um dos fatores que me atraiu”, diz.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico