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Ex-vendedor foi obrigado a passar óleo em garotas de programas diante de outra mulher, assistir a strip-teases, fazer a "dança da boca da garrafa" por não ter atingido meta de venda

Agência Estado

O ex-vendedor da Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) Elcio Milczwski, morador de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, foi obrigado a passar óleo em garotas de programas diante de outra mulher, assistir a strip-teases, fazer a "dança da boca da garrafa" e ver filmes pornôs enquanto recebia humilhações de seus superiores por não atingir metas de vendas, durante sua passagem pela empresa.

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Essas situações ocorreram entre os anos de 2003 e 2004 e, segundo testemunhas, por cerca de dez vezes. Em julho de 2007 ele deixou a empresa e no mês seguinte entrou com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho - 9ª Região, no Paraná (PR). A 5ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou e condenou a Ambev no último dia 3 de setembro a lhe pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais, depois de indeferir todos os recursos propostos. Elcio não foi encontrado para comentar a vitória. A sua página no Facebook, porém, mostra que atua como um dos proprietários de uma casa de carnes assadas, em São José dos Pinhais. Casado e evangélico, conforme seu perfil, Elcio também passou pelas empresas Renault e JBS nos últimos anos. A empresa tentou desqualificar os depoimentos de Elcio e de testemunhas, mas não obteve sucesso.

Em seu depoimento ao TRT, Elcio disse que era muito comum os vendedores serem expostos ao ridículo. "...eram obrigados a dançarem vestidos de mulher, pagar flexões, dançar na boca da garrafa, tomar cerveja e refrigerantes quentes de outras marcas em público presenciadas por cerca de 60 pessoas", relata. Nos autos, consta que "um gerente chamado Jorge Jacobs o amarrava e colocava filmes pornôs para assistir, levava garotas de programa na sala para fazer strip tease, jogava lata de lixo em cima da mesa, dizendo que ele não passava de lixo.

O processo também cita outra pessoa, de nome Gilson, que o fazia dançar na "boquinha da garrafa", fazia "xingamentos" e também teria contratado garotas de programas "para realizar strip-tease como incentivo, obrigando o reclamante a passar óleo, na presença de uma vendedora mulher de nome Jussara", diz o relatório. No despacho da ação, o Tribunal considerou que a metodologia empregada para aumentar as vendas absurda e que ofendia a integridade moral dos vendedores.

Em nota enviada pela assessoria da empresa, a Ambev alega respeito aos seus funcionários. "Reconhecida por sua gestão, a Ambev prega o respeito e valoriza o trabalho em equipe. A companhia, que conta com mais de 30 mil funcionários do Brasil, não pratica ou tolera qualquer prática indevida com seus funcionários. Casos antigos e pontuais não refletem o dia a dia da empresa. O bom ambiente de trabalho é refletido pelos inúmeros prêmios de gestão de pessoas que a Ambev recebe a cada ano", concluiu.