Tamanho do texto

Diante da possibilidade de os encargos do setor serem reduzidos ou extintos, o investimento novo em energia seria menos atrativo para as indústrias

Agência Estado

Polo da Braskem em Camaçari, na Bahia
Divulgação
Polo da Braskem em Camaçari, na Bahia

A demora do governo em definir e anunciar a resolução a respeito da renovação das concessões elétricas tem afetado a tomada de decisão das indústrias brasileiras. Uma das maiores consumidoras de energia do País e principal petroquímica das Américas, a Braskem aguarda o anúncio do governo sobre o assunto para determinar os rumos de novos investimentos na geração de energia.

"Ainda não se sabe, por exemplo, se haverá redução no preço da energia ou se o efeito será no custo de transmissão", destaca o diretor de Energia da Braskem, André Gohn. A energia corresponde a cerca de 6% dos custos totais da petroquímica e por isso a companhia tem interesse em reduzir a dependência por energia externa. Mas, diante da possibilidade de os encargos do setor serem reduzidos ou extintos, o investimento novo em energia seria menos atrativo para as indústrias, uma vez que elas poderão vir a adquirir energia no mercado a preços mais competitivos.

No ano passado, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, havia afirmado à Agência Estado que a petroquímica analisava alternativas de geração energética. Entre as opções estavam a geração de biomassa a partir do eucalipto e do capim elefante, além de investimentos em projetos eólicos. A produção de biomassa a partir de eucalipto é um dos projetos mais avançados. De acordo com Gohn, a Braskem pode ingressar no mercado de biomassa a partir de uma iniciativa em Alagoas.

A companhia deve formalizar no início de 2013 um contrato nessa área, o qual garantiria abastecimento energético ao complexo da Braskem em Alagoas. A iniciativa, contudo, tem maior foco na geração de vapor, e não em energia elétrica, e tem um viés mais conceitual do que de redução efetiva de custos.

Negociações

O impasse sobre a renovação das concessões, além de adiar a definição das indústrias sobre investimentos em geração de energia, também torna mais desafiador o trabalho de compra de energia no curto prazo. "Se faço uma grande compra agora e o preço cai no futuro, posso ser penalizado. Mas o preço pode subir e também seríamos prejudicados", afirma Gohn, que participou nesta segunda-feira do 2º Seminário Competitividade, organizado pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e pela Plásticos em Revista.

"A situação reduz o nosso poder de tomada de decisão", complementa o executivo da petroquímica, que tem entre seus sócios controladores a estatal Petrobras. A dificuldade das indústrias brasileiras tem sido constante, uma vez que empresas com concessões a vencer a partir de 2015 evitam formalizar acordos de longo prazo neste momento.

"O fornecedor não faz contratos de longo prazo até mesmo porque não sabe se pode fazer", afirma. Essa situação afeta a condição de preços nos contratos de longo prazo e, indiretamente, também no mercado de curto prazo.