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Em visita à Rio+20, presidente do país Mahmoud Ahmadinejad tentou encontro com geólogo para conhecer reserva na Bahia do insumo vital para a produção mísseis teleguiados

Auto-definido como “místico”, João Cavalcanti diz ter descoberto terras raras na década de 1970
AE
Auto-definido como “místico”, João Cavalcanti diz ter descoberto terras raras na década de 1970

A crise diplomática entre China e Japão sobre o comércio de terras raras , minerais usados em produtos de alta tecnologia, pode ganhar contornos geopolíticos envolvendo o Brasil. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que participou da Rio+20 na semana passada, tentou encontro com o geólogo João Cavalcanti para conhecer a reserva de neodímio que ele diz ter descoberto na Bahia. “Um jornalista que representa o [Mahmoud] Ahmadinejad queria que eu fosse conversar com ele na Rio+20”, afirma ao iG o dono da mineradora World Mineral Resources Participações S.A. (WMR).

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Segundo o empresário, que já foi sócio de Eike Batista e atualmente mantém parceria em projeto de minério de ferro com a Votorantim, foi a segunda tentativa de encontro do governo iraniano com ele.

A primeira teria ocorrido logo após reportagem do iG na qual Cavalcanti anunciou ter encontrado reserva com 28 milhões de toneladas de neodímio – um dos 17 elementos que compõem as terras raras, conjunto de insumos vitais para o desenvolvimento de produtos de alta tecnologia como tablets, smartphones e sistemas de orientação teleguiada de mísseis.

Na ocasião, o representante de um órgão oficial iraniano procurou Cavalcanti para convidá-lo para uma reunião com o embaixador do país em Brasília. “Eu recusei. Não vou me envolver com o Irã. Até porque, eles não têm tecnologia para explorar terras raras. Eu tenho negócios com os americanos e não quero me envolver com iranianos”, diz.

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O interesse iraniano nas terras raras brasileiras ocorre no momento em que o país ganha peso no cenário internacional dos minerais com pouca incidência na natureza – e alta aplicação na indústria de ponta tecnológica, devido propriedades que garantem maior facilidade para transmissão de correntes elétricas e resistência química.

O serviço geológico dos Estados Unidos, o USGS, indica o Brasil como um dos potenciais territórios com reservas de minerais raros como cério, diprósio e monazita. Segundo o órgão americano, o país teria 52 milhões de toneladas. A China, maior produtor atualmente, detém 55 milhões de toneladas em reserva e controla 97% do comércio mundial.

A indicação do USGS levou o governo brasileiro a inserir as terras raras, extraídas em pequenas quantidades pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), no plano de minerais estratégicos que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) está estudando em diversas regiões. A primeira fase do programa começou pela Amazônia , com orçamento de R$ 1,35 milhão para este ano.


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