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Pré-sal responde atualmente por 5% dos 2,02 milhões de barris diários produzidos no País, mas deve chegar a 30% até 2016. Empresa também anuncia metas mais "realistas"

Quase metade (49%), ou US$ 43,7 bilhões, dos investimentos totais na área de produção da Petrobras previstos no Plano de Negócios da empresa até 2016 (US$ 89,9 bilhões) vai para a área do pré-sal. O plano foi anunciado nesta segunda-feira pela presidenta da empresa, Graça Foster, e por sua diretoria.

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O pré-sal responde hoje por 5% dos 2,02 milhões de barris diários produzidos no País, mas deve chegar a 30% até 2016. Ao mesmo tempo, o pós-sal vai passar dos 95% de hoje para cerca de 70% em cinco anos.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, apresenta o Plano de Negócios 2012-2016
Agência Petrobras
A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, apresenta o Plano de Negócios 2012-2016


Os US$ 25,4 bilhões previstos para exploração (isto é, a perfuração de poços para descobrir o tamanho e características das reservas) continuarão concentrados no pós-sal (69%) nos próximos cinco anos, enquanto o pré-sal receberá apenas 24% desses investimentos.

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Maria Formigli, disse que, atualmente, a Petrobras busca fazer descobertas no pós-sal, em fronteiras exploratórias como as margens leste (que inclui as bacias de Sergipe e Alagoas) e equatorial (que fica na costa amazônica). “A expectativa é muito boa nessas áreas”, destacou.

Formigli também enfatizou a necessidade de se investir na produção de equipamentos e estruturas locais para evitar atrasos e maximizar o desempenho. Ele citou como exemplo negativo as 14 sondas que foram importadas pela empresa que tiveram uma média de um ano de atraso. A tendência é que o conteúdo local aumente e, a partir de 2016, estão previstas 33 novas sondas, que terão entre 55% e 65% de conteúdo local.

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Preços dos combustíveis

Graça Foster disse que o plano de negócios 2012-2016, com previsão de investimentos de US$ 236,5 bilhões, foi aprovado pelo controlador, o governo, com a decisão de paridade de preço internacional.

Graça explicou que o reajuste de preços anunciado na sexta-feira , considerado abaixo da expectativa pelo mercado, “dá luz ao caixa” que a companhia tem. “Não passamos a volatilidade para o consumidor”, disse Graça. “Vamos continuar não passando a volatilidade”, frisou.

Graça explicou ainda que a separação dos projetos em implantação, que somam investimentos necessários de US$ 208,7 bilhões, e dos projetos em avaliação, que totalizam US$ 27,8 bilhões, foi feita para que “os técnicos briguem para ter os projetos mais atrativos”, disse.

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Meta de produção "realista"

Plataforma que trabalha na produção do pré-sal no Campo Baleia Franca, litoral do Espírito Santo
Marcos de Paula/AE
Plataforma que trabalha na produção do pré-sal no Campo Baleia Franca, litoral do Espírito Santo

A petroleira decidiu decidiu reduzir a meta de crescimento da produção de petróleo em relação ao plano anterior, do ano passado. Se no plano 2011-2015, os objetivos eram chegar a 3,07 milhões de barris por dia em 2015 e a 4,91 milhões em 2020, no novo planejamento as metas são mais realistas: 2,5 milhões de barris diários em 2016 e 4,2 milhões em 2020.

“Historicamente, a Petrobras não cumpre suas metas de produção. Essa tem sido a leitura e o discurso de muitos. E nosso discurso dentro da nossa companhia. Temos, como uma de nossas conclusões que nosso plano esteja sendo trabalhado em metas ousadas, que se mostraram ano a ano metas não realistas”, disse a presidenta da empresa, Graça Foster.

Refinaria Abreu e Lima atrasa

A Petrobras prevê que a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, entrará em operação com três anos de atraso. Segundo a Graça Foster, o empreendimento está com 55% de realização física. A nova data de entrada de operação é novembro de 2014.

"A história da Refinaria Abreu e Lima tem sido lida de tal forma que não seja mais repetida. Houve um aumento de custo substancial. O primeiro óleo a ser refinado aponta hoje com atraso de três anos", declarou Graça Foster.

Parceria no Estaleiro Atlântico Sul

Navio João Cândido custou mais de R$ 300 milhões
Divulgação
Navio João Cândido custou mais de R$ 300 milhões

O diretor de Exploração e Produção, José Miranda Formigli, diz acreditar que a definição sobre o novo sócio do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), também localizado em Pernambuco, aconteça em julho. A nova empresa, cujo nome é mantido em sigilo, entraria no lugar da coreana Samsung. O EAS tem contratadas sete sondas pela Sete Brasil, empresa cujo controle é da Petrobras. A demora na entrega das sondas é apontada como uma das razões para a Petrobras não ter cumprido metas de produção nos últimos anos.

Até o final do ano, a Petrobras deve operar 40 sondas - três devem chegar ao longo do segundo semestre -, número que pode subir para 41 equipamentos em 2013 e para 42 unidades a partir de 2014.

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Menor investimento em etanol

Graças Foster disse também que o fato de haver menos projetos em etanol no plano da estatal para o período 2012-16 ocorre "em função de poucas oportunidades efetivas de investimento na área".

* Com Agência Brasil, Agência Estado e Valor Online

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