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"Nós acabamos de receber informações sobre a CSA, operação da Thyssen no Brasil", diz  o presidente da companhia sul-coreana, Joon-Yang Chung

Reuters

A siderúrgica Posco tem expectativa de que o sistema de precificação anual do minério de ferro volte a ser utilizado nas negociações entre as grandes mineradoras e produtoras de aço, disse nesta quinta-feira o presidente da companhia sul-coreana, Joon-Yang Chung.

Em evento em São Paulo, ele disse que outras siderúrgicas também querem o retorno da precificação anual, alguns anos após a indústria abandonar o esquema "benchmark".

O comentário de Chung evidencia a fragilidade do setor. Nas palavras do executivo, a precificação anual traria mais estabilidade para a indústria.

"Temos esperança que a Vale e outras voltem ao sistema antigo. Isso faria as companhias siderúrgicas mais estáveis. De um modo geral, nós e outras companhias de aço esperamos voltar ao sistema de benchmark anual", disse Chung.

As siderúrgicas sempre tiveram preferência pela precificação de longo prazo, mas no ambiente atual de volatilidade de preços as negociações com foco no curto prazo e no mercado à vista são mais interessantes para as mineradoras, segundo uma importante fonte do setor.

Já a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, negocia com os clientes nos sistemas de preço que eles consideram mais adequados, mas não considera justo mudanças frequentes no esquema de precificação, disse o presidente da companhia, Murilo Ferreira, nesta quinta-feira.

"Pelo que entendi, ele (presidente da Posco) acha que seria a melhor forma de negociação (a anual)... O que os clientes acharem mais apropriado, nós vamos fazer. O que não podemos é optar por um mecanismo de preço e daqui a dois meses, mudar. Isso não", disse Ferreira a jornalistas, em evento da Rio+20.

O executivo da Posco comentou ainda sobre a expectativa de preço do aço, e disse acreditar que a cotação do produto subirá no segundo semestre do ano, com a perspectiva de recuperação econômica da China.

Posco avalia fatia da CSA

O executivo da Posco disse ainda, em evento na Confederação Nacional da Indústria, que a empresa avalia dados da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) e não descarta comprar uma fatia da ThyssenKrupp na usina brasileira.

"Nós acabamos de receber informações sobre a CSA, operação da Thyssen no Brasil, e estamos revisando internamente. Não estou em posição de dizer sim ou não (sobre a compra), mas definitivamente estamos analisando no momento", afirmou ele a jornalistas, por meio de intérprete, após o evento na CNI.

Ele não deu detalhes sobre o tamanho da participação na CSA que a Posco eventualmente poderia comprar.

Chung disse que ainda não conversou com a Vale, acionista da CSA, sobre eventual compra de fatia da ThyssenKrupp. A mineradora possui participação de 27 por cento na usina, enquanto o grupo alemão detém o restante.

No início do mês, a porta-voz da Posco, Kim Ji-young, havia dito que a companhia sul-coreana não estava considerando comprar a fatia da empresa alemã na CSA.

Em maio, a ThyssenKrupp, maior produtora de aço da Alemanha, afirmou que poderia vender ativos no Rio de Janeiro (CSA) e Alabama, nos EUA, em decorrência de estouro de orçamentos de implantação e atrasos nas unidades.

O presidente da Posco afirmou nesta quinta-feira que também analisa informações da usina da ThyssenKrupp nos EUA.

A avaliação da usina sul-coreana acontece em um momento em que o governo se mostra interessado em uma solução brasileira para a venda da participação alemã na usina, um dos maiores investimentos realizados no setor nos últimos anos.

Na segunda-feira, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, manifestou preferência por uma solução nacional para a CSA, depois que uma fonte informou à Reuters na semana passada que o governo brasileiro estava se movimentando para tentar evitar que a participação na usina fique com um grupo estrangeiro .

Questionado sobre o tema, o presidente da Vale afirmou que "nunca" foi procurado pelo governo para tratar de assuntos relacionados à fatia que a Thyssen quer vender.

(Com reportagem adicional de Sabrina Lorenzi e Leila Coimbra)

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