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Movimento acontece em momento de expansão do mercado latino-americano e de crise na Europa e nos Estados Unidos

Boeing 737 Max, uma das principais apostas da companhia para a América Latina
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Boeing 737 Max, uma das principais apostas da companhia para a América Latina

A Boeing está reforçando sua estrutura de venda de aviões comerciais no Brasil. O objetivo declarado da companhia é conhecer melhor o mercado e estar mais próxima dos clientes, em um momento de expansão da demanda latino-americana e de crise econômica na Europa e nos EUA.

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O desenho completo da estrutura que a companhia aeronáutica americana terá no Brasil ainda não está 100% definido. Mas, de acordo com Randy Tinseth, vice-presidente de marketing da área de aviação comercial da Boeing, a equipe comercial será reforçada e todas as áreas da empresa serão reunidas em um único endereço, em São Paulo.

Hoje, a principal base de operações da companhia é o aeroporto de Congonhas, onde mantem engenheiros e técnicos encarregados de dar suporte aos clientes no país, além do pessoal de RH e administrativo. Há também uma equipe de executivos dedicada a acompanhar contratos da área militar, que gravita entre a capital paulista os corredores de Brasília.

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Uma das peças chave da nova estrutura, segundo Tinseth, será Al Bryant, que há três semanas desembarcou no Brasil para ocupar a posição de vice-presidente do centro de pesquisa e tecnologia da Boeing no país. Com passagens pela China e Austrália, ele será responsável por coordenar parcerias como a fechada recentemente com a Embraer, para o desenvolvimento de biocombustíveis de aviação, e pesquisas sobre as preferência e perspectivas do mercado brasileiro e latino-americano.

Contra-ataque

“Perdemos algumas oportunidades há alguns anos e estamos redobrando nossos esforços na América Latina para ampliar nossa presença”, diz Tinseth, referindo-se a grandes compras feitas por Lan, Tam e Avianca, que hoje tem frotas majoritariamente formadas por aeronaves da Airbus.

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A Boeing tem com principal cliente no Brasil a Gol, que passa pela maior crise de sua história. Entre as empresas em rápida ascensão no país, como Trip e Azul (reunidas neste mês sob a mesma holding), a preferência tem sido por aeronaves com menos de 120 lugares, de fabricantes como a Embraer e a francesa ATR, que fabrica turbo-hélices.

Ainda assim, Tinseth estima que a companhia tenha a maior participação de mercado na região e diz que as perspectivas de longo prazo são boas, em especial para a frota de rotas de longo curso, como as que ligam países da América do Sul aos Estados Unidos. Trata-se de um mercado no qual a companhia tem tido mais sucesso junto a companhias que em rotas locais usam aviões da Airbus, como são os casos da Tam e Lan. Entre 2011 e 2030, a Boeing projeta que este mercado crescerá 7,1% ao ano, em volume de passageiros, e abrirá boas oportunidades de venda.

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Além de aeronaves de longo curso, como os 777, a companhia espera ganhar espaço com o 737 Next-Generation, já em serviço, e com uma nova versão do 737 em desenvolvimento, o 737-Max, desenhados para rotas mais curtas e com menor demanda de passageiros. Este é outro mercado com grande destaque nas projeções da companhia, com alta de 7% ao ano no volume de tráfego, pelos próximos 20 anos.

Até 2030, a expectativa da Boeing é de que sejam vendidos na região 2570 aeronaves, em encomendas que deverão somar cerca de US$ 250 bilhões. De todas essas aeronaves, 83% serão da categoria do 737.

“O mundo vem enfrentando uma crise, mas não é uma crise homogênea. Tem atingido mais países desenvolvidos, como os da Europa, os Estados Unidos e o Japão”, diz Marcos Vendramini, professor de economia da Unicamp e estudioso da indústria aeronáutica nacional. “Nesse ponto, tanto Airbus quanto Boeing estão procurando mercado e procurando se desenvolver em países onde existem as maiores oportunidades”.

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