Tamanho do texto

Mineradora anglo-suíça quer entrar em mina do geólogo João Cavalcanti, dono da World Mineral, que anunciou ao iG a descoberta

Há alguns anos a anglo-suíça Xstrata tenta entrar no mercado brasileiro para explorar riquezas minerais e, assim, ganhar corpo na briga pelo mercado mundial de ferro ao lado de Vale e BHP Billinton. A mineradora ensaia agora nova investida no Brasil, por meio de uma parceria com a World Mineral Resources Participações S.A. (WMR), criada pelo geólogo baiano João Cavalcanti – ex-sócio do empresário Eike Batista na antiga IRX, embrião do braço minerador do bilionário, a MMX. “Eles me convidaram para uma reunião na Suíça no dia 19 de junho para eu mostrar meu projeto”, afirma Cavalcanti ao iG .

Leia também: Geólogo baiano descobre reserva de terras raras que pode valer US$ 8,4 bilhões

A proposta ocorreu após reportagem do iG Economia sobre a descoberta realizada pela WMR na Bahia, onde identificou um bloco mineral com reserva estimada entre 600 milhões e 800 milhões de toneladas de ferro. Segundo o geólogo, a exploração da mina exigiria investimento de US$ 2 bilhões na estrutura industrial de exploração e beneficiamento para produzir 20 milhões de toneladas anuais de pellet feeed (o minério concentrado com teor padrão internacional médio de 65% de ferro).

Cavalcanti, a bordo do jato, sobre ser bilionário:  “Isso é balela, sou um batalhador”
AE
Cavalcanti, a bordo do jato, sobre ser bilionário: “Isso é balela, sou um batalhador”

O depósito encontrado no norte da Bahia está avaliado em US$ 6 bilhões, ou seja, com o valor atual da tonelada do ferro no mercado mundial (média de US$ 140) a mina renderia lucro de US$ 4 bilhões.

Para viabilizar a exploração da mina, a WMR negocia a aquisição de um terreno na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) desenhada pelo governo baiano para a região de Ilhéus, onde há a previsão de ampliar o porto local para atender empresas dispostas a se beneficiar do regime diferenciado de incentivos fiscais.

A negociadora mundial de commodities Trafigura, responsável por movimentar US$ 30 bilhões por ano em transações comerciais de compra e venda de matérias-primas, também ensaia uma aproximação da WMR, segundo o próprio Cavalcanti, que se mostra mais inclinado a se aproximar da Xstrata, hoje a maior mineradora do globo.

Leia também: Empresário cobra na Justiça R$ 22 milhões de Eike Batista

A abertura de dados sigilosos do projeto em Zug (cidade suíça sede da Xstrata), contudo, ainda depende de a mineradora firmar um acordo de confidencialidade com a WMR. “Só vou à Suíça se eles mandarem uma carta-convite formal e assinarem um memorando de confidencialidade. Não vou abrir meus projetos sem isso. Já foi o tempo em que o Brasil andava pelo mundo com o pires na mão pedindo investimento”, diz. “Estamos negociando esse memorando hoje [esta quarta-feira].”

Gigante de US$ 200 bilhões
A Xstrata e a empresa de commodities e também de origem suíça Glencore se fundiram em 2011, formando uma companhia com negócios nas áreas de metais e petróleo espalhados em cinco continentes. A nova gigante das commodities passou a se chamar neste ano Glencore Xstrata International.

A brasileira Vale tentou comprar a Xstrata no início de 2008, em uma oferta estimada à época pelo mercado em até US$ 70 bilhões. A investida sobre a concorrente fazia parte de um projeto de expansão da Vale a partir de aquisições, que culminou com a compra da produtora canadense de níquel Inco por US$ 17 bilhões, em 2007.

O flerte da Vale não avançou após negativa do Palácio do Planalto em ceder empréstimo via BNDES para arrematar a mineradora anglo-suíça. Pesou contra também a pressão da Glencore, então dona de 34,6% do capital acionário da Xstrata, para exercer seu direito de preferência de compra como sócia investidora.

Não à toa, a Glencore esperou o esfriamento dos ânimos para, em meio à crise financeira internacional deflagrada em 2008, arrematar o restante da Xstrata por US$ 90 bilhões em 2011. A fusão deu origem a um gigante das commodities cujo faturamento bruto é avaliado em mais US$ 200 bilhões por ano.

    Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.