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Documento elaborado por Firjan e Fiesp, que representam 75% do PIB industrial do País, traz propostas para desenvolvimento sustentável

A Fiesp e o Sistema Firjan apresentaram, nesta terça-feira, no evento Humanidade 2012, o posicionamento das indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro sobre temas referentes à Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), como energia, segurança alimentar e mudança de clima. O documento, que foi entregue na segunda-feira ao vice-presidente da República, Michel Temer, será oficialmente encaminhado à delegação brasileira para as negociações oficiais da Rio+20, que terá início nesta quarta-feira.

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Presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira destacou que as indústrias de São Paulo e Rio de Janeiro - que, juntas, representam 75% do PIB industrial do Brasil – se uniram para colaborar na discussão governamental sobre o meio-ambiente. “Queremos apresentar propostas e entrar na discussão do desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Dividido em temas como florestas, água e resíduos, o documento traz propostas como transferência de tecnologias brasileiras de produção de alimentos para países da África e a busca de soluções tecnológicas para a maior utilização de biocombustíveis em meios de transportes de carga.

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Um dos principais pontos defendidos pela Firjan e pela Fiesp foi o aumento do uso de recursos hídricos para a geração de energia limpa, a exemplo do que é feito no Brasil. “Hoje, a energia gerada por hidrelétricas corresponde a cerca de 84% da matriz energética brasileira. Somos uma exemplo para o mundo nesse aspecto. Por isso, defendemos a hidroeletricidade como uma energia limpa a barata”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que aproveitou a oportunidade para defender uma redução da conta de luz para o consumidor final: “O custo de produção de nossa energia é muito baixo. Falta agora repassar isso à população. Mas isso é assunto para outro dia”.

Questionados sobre o possível impacto que a expansão do uso de hidrelétricas na região Norte poderá gerar no bioma local, Skaf e Vieira declararam que a postura de defesa da hidroeletricidade não muda. “Temos sempre que pensar em termos comparativos. A energia proveniente das hidrelétricas é a que menos polui. Além disso, enchentes já fazem parte das características da região. Um lago a mais, outro a menos, não vai fazer diferença”, disse Vieira.

As entidades também reforçaram a necessidade de se estabelecer metas compatíveis com a economia de cada país. Segundo o documento gerado pelas duas entidades, “os instrumentos de mensuração do desenvolvimento sustentável devem incluir os esforços já empreendidos pelas nações com a conservação de florestas e biodiversidade, tratamento de resíduos e água e energia limpa”.

“Não se pode privar as pessoas de terem comida e de garantirem um emprego, porque não existe sustentabilidade sem crescimento econômico. Por isso, nosso desafio é continuar a crescer buscando sempre a redução da emissão de poluentes por produto produzido”, disse Vieira.

O presidente da Fiesp rebateu ainda uma pergunta sobre o fato de a indústria ser considerada a vilã do meio ambiente no Brasil. Segundo ele, 70% das indústrias já reutilizam água. Além disso, ressaltaram os empresários, a matriz industrial de emissões de efluentes gasosos no Brasil é menor que a média mundial. Hoje, a indústria brasileira responde por apenas 4% da emissão de poluentes se descartarmos as queimadas, ressaltou Vieira.

Para Skaf, a indústria evoluiu muito desde a Eco92. “Há 20 anos, cuidar da questão ambiental e investir em inovações representavam um ônus para a maior parte das indústrias brasileiras. Hoje, tratar do tema do desenvolvimento sustentável é visto como um bônus”, afirmou.

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