Tamanho do texto

Presidente da estatal petrolífera brasileira afirma que companhia está próxima de duplicar reservas comprovadas e que não há motivo para as quedas recentes no preço do papel

A presidente da Petrobras, Graça Foster, pediu nesta terça-feira paciência aos investidores da estatal brasileira de petróleo. De acordo com ela, a valorização dos papeis da companhia, que vem registrando repetidas quedas, é basicamente uma questão de tempo. “Não há razão para nossas ações estarem nesse patamar, somos uma empresa com muitos ativos e estamos próximos de duplicar nossas reservas”, afirmou a executiva em evento para divulgação dos números do Programa Progredir, voltado para financiar fornecedores da companhia. “O que eu posso dizer aos nossos acionistas é: acredite no crescimento do valor de suas ações”, disse.

Leia também:  Os desafios da Petrobras para se manter na liderança regional

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 18,3% no ano passado. Fecharam a R$ 20,97, contra R$ 25,67 um ano antes. Como base de comparação, no mesmo período o Ibovespa, índice que reune as principais ações da BM&F Bovespa, caiu 18,11%. Neste ano, as ações preferenciais da companhia chegaram a esboçar recuperação e, em fevereiro, alcançaram R$ 25,6. Mas ontem já haviam voltado a R$ 19,1, 25,35% abaixo do pico, e hoje no início da tarde caiam mais 0,68%.

De acordo com a executiva, em aproximadamente três anos a Petrobras já terá incorporado as descobertas do pré-sal em suas reservas provadas, o que invariavelmente deve ter reflexo nos papeis da companhia. “Vamos chegar a mais de 30 bilhões de barris equivalentes, isso é o dobro do que temos hoje”, afirmou a presidente da Petrobras.

Leia também:  Petrobras vê petróleo em queda e menor pressão de reajuste

De acordo com ela, as crises internacionais contribuem para reduzir os preços das ações da estatal brasileira no mercado acionário. "As crises provocam efeitos fortes nas bolsas, principalmente nos papeis de empresas ligadas às commodities”, afirmou. “Mas essa é uma questão temporária”.

Passo atrás

Apesar de afirmar que a Petrobras vai reconquistar seu valor de mercado, a presidente da companhia minimizou os efeitos da defasagem do preço da gasolina no Brasil em relação aos preços do petróleo no mercado internacional. Na segunda-feira, Graça Foster foi enfática ao afirmar que os preços no mercado interno estão baixos. "Nesse momento há uma defasagem muito significativa entre o preço do petróleo que compramos e produzimos e entre o que vendemos", afirmou na segunda.

Na terça-feira, no entanto, a presidente da Petrobras preferiu lembrar que a companhia já teve muito lucro no passado por conta do papel inverso dos preços. “Há muita volatilidade no mercado e ontem o petróleo já caiu mais um pouco”, disse. “É preciso lembrar que por anos consecutivos tivemos ganhos com a diferença de preço do mercado interno, que estava maior, em relação ao externo”.

Leia ainda:  Plano estratégico da Petrobras terá maior enfoque em exploração e produção

Graça Foster ainda afirmou que é possível reverter as perdas com a defasagem atual em um curto espaço de tempo. “Além disso, há possibilidade de uma convergência dos preços”, disse. “O importante é a sustentabilidade da economia brasileira”, afirmou, dando a entender que um aumento no preço da gasolina nesses tempos de PIB mínimo parece não estar no horizonte da companhia.

Dentro de algumas semanas a Petrobras irá anunciar seu Plano de Negócios 2013-2017. Graça Foster, no entanto, recusou-se a tocar no assunto. “Ainda estamos discutindo os detalhes com o Conselho de Administração, ainda não temos nem ao menos uma data definida para o anúncio”, disse.

(Colaborou Olívia Alonso)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.