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A China fechou seus portos aos Valemax, depois de protestos sob alegação de que a  companhia estava usando as embarcações para dominar o comércio de minério de ferro

Os supercargueiros da Vale, também chamados de Valemax, ainda não podem exportar para a China
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Os supercargueiros da Vale, também chamados de Valemax, ainda não podem exportar para a China

A recente autorização do governo chinês para a construção de infraestrutura capaz de receber os gigantescos navios da Vale em um porto não muda a situação da mineradora, que deverá continuar impedida de exportar minério de ferro para o país por meio dos Valemax. A medida é positiva, mas não resolve o problema, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

"Já existem portos capazes de receber esses navios, e o que está impedindo é uma legislação que retira dos portos a capacidade de decidir sobre esse assunto", acrescentou a fonte, pedindo anonimato. O Ministério dos Transportes da China aprovou recentemente planos para a construção de ancoradouros de minério de ferro para embarcações de até 400 mil toneladas no porto de Ningbo-Zoushan, no leste do país.

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No início deste ano, a China fechou seus portos aos Valemax, depois de protestos domésticos contra os navios sob alegação de que a Vale estava usando as embarcações para dominar o comércio de minério de ferro. O primeiro e único Valemax a ingressar na China, o Berge Everest, de 380 mil toneladas, atracou no porto de Dalian em dezembro.

O argumento do governo chinês para proibir a entrada dos Valemax foi a suposta falta de infraestrutura, o que é contestado pela fonte e especialistas. "No mundo todo é a autoridade portuária que toma essa decisão, e na China também era quando em fevereiro deste ano a regulamentação foi mudada, centralizando no Ministério dos Transportes essa decisão e proibindo navios acima de 350 mil toneladas. Enquanto esse regulamento estiver em vigor o navio de 400 mil não pode aportar". 

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, a questão é puramente política e nada técnica. "Os armadores chineses não querem competição com a Vale, e aí usam a questão da infraestrutura como desculpa... A Vale não construiria todos esses navios sem conhecer a infraestrutura dos portos chineses", afirmou.

Plano B

Um plano B da Vale para contornar a resistência chinesa tem sido a construção de unidades flutuantes, centros de distribuição em países vizinhos para receber os Valemax, transferindo a carga para navios menores com autorização para atracar nos portos chineses. A maior produtora de minério de ferro do mundo decidiu construir e arrendar 35 navios gigantes para reduzir seus custos com frete, dada a grande distância entre a produção de minério de ferro no Brasil e o seu maior mercado consumidor, a China.

Diante da resistência da China, a mineradora revisou a estratégia e informou que tentará vender as embarcações e arrendá-las em contratos de longo prazo. A maioria das embarcações que a Vale decidiu construir estão sendo erguidas, por ironia, na própria China.

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