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Segundo instituto, companhias com maior número de funcionários têm mais chance de sobreviver ao primeiro ano de operação

A maioria das empresas brasileiras novatas, que completaram seu primeiro ano de vida em 2008, no auge da crise financeira internacional, conseguiu sobreviver aos impactos da maior turbulência econômica em quase 80 anos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com informações do estudo “Demografia das Empresas 2008”, das 464,7 mil empresas que iniciaram em 2007 suas atividades, 353,5 mil (76,1% do total) permaneceram em operação ao fim de 2008.

Segundo o documento elaborado pelo IBGE, com base em informações do Cadastro Central de Empresas (Cempre), o índice de sucesso das companhias novatas está diretamente relacionado com o porte da empresa. Ou seja, quanto maior o capital imobilizado e o número de funcionários de uma companhia iniciante, maiores as chances de a empresa permanecer mais tempo em atividade.

Entre as empresas com dez ou mais funcionários, a taxa de sobrevivência após um ano de operação foi de 95,7%. Nas companhias com um quadro de colaboradores que varia de um a nove funcionários assalariados esse percentual atingiu 91,8% do total. Já nas empresas de pequeno porte, sem pessoal assalariado, a taxa de sobrevivência foi de 70,6%.

Sobrevivência das empresas criadas em 2007

Taxas em % segundo as faixas de pessoal ocupado assalariado em 2008

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Fonte: IBGE, Cadastro Central de Empresas (Cempre)

O relatório do IBGE aponta ainda que as empresas novatas mais prosperaram nas áreas de educação (81,1%), artes, cultura e esportes (80,9%) e eletricidade e gás (79,3%).

O setor de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, que, segundo o IBGE, é a atividade com maior quantidade de empresas que iniciam operação e em um curto espaço de tempo encerram suas atividades apresentou taxa de sobrevivência de 73,1% em 2008. O segmento de indústria de transformação, o segundo mais importante nos movimentos de criação e encerramento de empresas, apresentou taxa de sobrevivência de 71,8%. Apesar do índice superior a 70%, ambos os segmentos ficaram abaixo da taxa média de sobrevida de 76,1% entre as companhias criadas em 2007 e com até um ano de atuação em 2008.

Mobilidade

O estudo o IBGE também revela que houve uma mobilidade no porte de algumas companhias no intervalo entre 2007 e 2008, fato pode ter contribuído com a sobrevida de muitas das companhias novatas nesse período. Entre as empresas que iniciaram as atividades em 2007 sem pessoal assalariado, 20,7% já havia expandido os negócios e alcançado a faixa entre um e nove funcionários assalariadas no ano seguinte. Nessa mesma faixa, 1,4% encerrou 2008 com dez ou mais funcionários.

Por outro lado, 17,9% das empresas que começaram suas operações na faixa entre um e nove funcionários reduziram seu tamanho e passaram a fazer parte da faixa sem pessoal assalariado, enquanto 6,8% cresceram e passaram para a faixa de dez ou mais funcionários.

Entre as companhias com dez ou mais pessoas assalariadas, 16,1% passaram para a faixa entre um e nove funcionários e 5,2% reduziram ainda mais e passaram a atuar sem empregados. Ou seja, no total de cada dez empresas, oito tendem a permanecer no mesmo porte no ano seguinte e duas tendem a migrar de perfil, de acordo com os dados do IBGE.

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