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Empresa de bens de consumo encerrou 2011 com prejuízo líquido de R$ 54,7 milhões, diminuindo a perda de R$ 262 milhões de 2010

Após sofrer os efeitos da desaceleração generalizada de consumo, intensificada pela adoção de uma nova política comercial, a Hypermarcas considera estar no caminho para voltar a crescer com rentabilidade.

"O foco agora é gerar caixa e reduzir o endividamento", disse o presidente-executivo da companhia, Cláudio Bergamo, em teleconferência nesta segunda-feira. "A grande meta é promover o crescimento orgânico e rentável com geração de caixa", acrescentou, destacando a continuidade dos investimentos na consolidação das operações.

A empresa de bens de consumo encerrou 2011 com prejuízo líquido de R$ 54,7 milhões, revertendo prejuízo de R$ 262 milhões no ano anterior. Se considerado apenas o quarto trimestre, o lucro caiu 41% , para R$ 49,6 milhões, ficando abaixo da estimativa média de seis analistas consultados pela Reuters, de ganho de R$ 65,2 milhões.

Já a receita líquida subiu 19,1% no ano e 1,3% no trimestre, para R$ 3,3 bilhões e R$ 841,8 milhões, respectivamente.

Implantada no primeiro trimestre de 2011 -e concluída em dezembro-, a nova política comercial da Hypermarcas, visando a desestocagem dos clientes, incluiu redução de descontos de preços dos produtos ao varejo e corte de prazos, com maiores impactos nos resultados da empresa no segundo semestre.

O fluxo de caixa operacional da empresa aumentou em mais de oito vezes no último ano, para R$ 580,2 milhões, sendo que o quarto trimestre respondeu por R$ 288,9 milhões. "As medidas foram tomadas para que a companhia possa voltar a crescer com rentabilidade, sustentavelmente e com geração de caixa", afirmou Bergamo. Segundo ele, o processo resultou em níveis de estoque a patamares mais adequados.

Nesse sentido, com os clientes retornando às compras e com menores impactos macroeconômicos, o executivo disse que as vendas da Hypermarcas no atual trimestre estão em linha com o orçamento traçado para atingir a meta de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 850 milhões este ano.

Segundo Bergamo, 20% da meta de Ebitda ajustado deve ser realizada no primeiro trimestre. "Estamos trabalhando cada vez mais com metas ligadas a performance (dos executivos)... O foco da companhia é entregar o 'guidance'", afirmou.

Como uma das formas de cumprir a estimativa, a Hypermarcas vinculou parte relevante dos incentivos pagos aos executivos à meta de Ebitda. De acordo com o executivo, "50% dos bônus pagos a todos executivos até o quarto nível depende do Ebitda absoluto total da companhia", com o restante se referindo ao desempenho individual.

Com a adoção da nova política comercial, a empresa havia reduzido em novembro passado, pela segunda vez, a estimativa de Ebitda para 2011, para R$ 700 milhões, contra previsão de valor acima de R$ 1 bilhão antes.

A Hypermarcas fechou o ano passado com dívida líquida de R$ 2,75 bilhões. Se considerado o câmbio médio de 2012 e valores a receber da venda de ativos, o endividamento ficou em R$ 2,59 bilhões, equivalente a cerca de três vezes o Ebitda projetado para este ano.

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