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Levantamento do iG contabilizou prejuízo das cinco maiores companhias; gastos com hotéis e efeito cascata na malha eleva perdas

A chegada das cinzas do vulcão chileno Puyehue ao Sul do Brasil e o mau tempo em algumas cidades brasileiras vão pesar no bolso das companhias aéreas em junho. Ao todo, 265 voos foram cancelados em todo o País entre 0h e 14h desta sexta-feira, de acordo com informações da Infraero.

Estima-se que Gol, TAM, Azul, Webjet e Avianca perderam, juntas, cerca de R$ 7,3 milhões com os voos domésticos cancelados nestas 14 horas. Esse prejuízo se refere à ausência de receita que essas cinco companhias tiveram por não operar essas rotas. As perdas das companhias durante toda a semana, quando voos para a América do Sul foram afetados pelo vulcão, devem superar esse valor.

Os cálculos foram feitos pelo iG , com base nos cancelamentos por companhia aérea, na quantidade média de assentos por aeronave, na taxa de ocupação de cada empresa e na tarifa média dos bilhetes aéreos. As informações estão disponíveis nos sites da Infraero, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e das companhias.

Procuradas pelo iG , as empresas disseram que ainda não levantaram as perdas com os problemas provocados pelo mau tempo e pelas cinzas do vulcão chileno nesta semana.

Além de perder receita, as companhias também terão gastos extras para arcar com hospedagem e alimentação dos passageiros que estão presos nesses aeroportos. Outro custo é a reformulação de toda a malha da companhia.

Neste momento, as empresas estão concentradas em refazer a escala de voos. Os cancelamentos nos aeroportos fechados afetam toda a malha aérea. Em um dia, um avião pode fazer o trecho Porto Alegre-Curitiba, por exemplo, e depois seguir para outras rotas, como São Paulo, Rio de Janeiro ou Salvador. Se o avião não parte Porto Alegre, todos os voos seguintes podem ser prejudicados.

É por isso que as companhias que não conseguiram retirar suas aeronaves dos aeroportos fechados podem ter um prejuízo maior. “Uma aeronave voa em média 12 horas por dia. Se o avião ficar parado, a companhia perde receita”, diz Respicio do Espírito Santo, professor de transporte aéreo da UFRJ.

As empresas também gastarão mais para fazer a manutenção dos aviões que permaneceram nos aeroportos afetados pelas cinzas do vulcão chileno. O material pode danificar o equipamento. Algumas companhias aéreas fizeram voos na madrugada de hoje para retirar as aeronaves destes locais.

Apesar do transtorno gerado ao passageiro e do prejuízo às companhias, a decisão de suspender os voos nos locais afetados pelo vulcão foi correta, diz Espírito Santo. “Na dúvida, a segurança tem que prevalecer.”

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