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"O que temos é um problema de confiança e a chave é abordar nossa situação fiscal a longo prazo" disse o diretor da Moody's

Líderes de algumas das maiores companhias mundiais e renomados analistas e acadêmicos dos Estados Unidos defenderam nesta segunda-feira que o governo americano promova um plano de ajuste fiscal a longo prazo que contribua para a recuperação da confiança na economia e estimule a geração de empregos.

"As margens de lucro atuais são muito amplas e as empresas têm muito capital. O que temos é um problema de confiança e a chave é abordar nossa situação fiscal a longo prazo. É preciso dar aos empresários uma explicação de como vamos fazer para solucionar este problema", disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics.

Zandi foi um dos conferencistas da segunda edição do Fórum Econômico de Nova York, uma reunião impulsionada por Richard Attias - que organizou o Fórum Econômico Mundial de Davos por mais de dez anos -, e que durante dois dias traz à "Big Apple" um amplo debate sobre como estimular o crescimento econômico e fazer com que essa expansão se traduza em criação de postos de trabalho.

Para o economista da Moody's, os problemas fiscais são "menos difíceis de solucionar do que parece", por isso pediu que o governo e a oposição entrem em acordo para realizar um plano de corte da dívida de US$ 4 trilhões nos próximos 10 anos.

Menos otimista foi a visão de Glenn Hubbard, decano da Escola de Negócios da Universidade de Columbia e antigo assessor econômico de George W. Bush, que alertou sobre a possibilidade de "déficit fiscal, déficit de trabalhos e déficit de crescimento, principalmente por um problema de gastos públicos". Por isso, ele defendeu um menor papel do governo para impulsionar a expansão econômica.

Apesar dos conferencistas terem discordado sobre a forma de promover a redução da dívida pública americana, foram unânimes em dizer que essa é a base para recuperar a confiança dos empresários. "Prevejo um crescimento econômico moderado nos próximos anos, mas acho que se conseguirmos recuperar a confiança, há muito capital nas empresas que pode começar a ser produtivo", disse por sua vez Richard Lesser, do Boston Consulting Group.

O prêmio Nobel de Economia Edmund Phelps tomou distância dessa visão e afirmou que o problema que está impedindo o crescimento econômico nos Estados Unidos não está nos ajustes fiscais ou na confiança, mas em uma perda de produtividade que ocorreu nas últimas décadas no país.

"Por volta de 1970 vimos uma queda do crescimento da produtividade. Desde então, os analistas parecem ter se esquecido disso totalmente, mas desde essa época vivemos uma grande redução da produtividade", explicou Phelps.

Se no ano passado, quando aconteceu a primeira edição deste evento em Nova York, os conferencistas se centraram em como evitar outra crise econômica como a de 2008, neste ano a reunião - que atraiu cerca de 700 executivos-chefes de empresas de mais de 30 países - buscou encontrar soluções para a falta de criação de emprego.

"É certo que é preciso solucionar os problemas fiscais, mas temos que fazê-lo de uma forma estratégica para que possamos seguir investindo em educação e inovação, e continuarmos a ser competitivos", afirmou Valerie Jarrett, conselheira sênior do presidente dos EUA, Barack Obama. Em seu ponto de vista, o espírito empreendedor foi sempre "o segredo" da força da economia americana, por isso pediu que tanto o governo como as próprias empresas estimulem a inovação e novas ideias para impulsionar a economia.

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