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Ataques de empresário no Twitter revelam falta de sensibilidade e arrogância e, no longo prazo, podem afetar imagem e valor das empresas; vote e opine

O empresário Eike Batista errou ao responder as pessoas que atacavam Thor Batista pela internet, dizem especialistas em gerenciamento de crise e imagem. Thor, filho mais velho de Eike, envolveu-se em um  acidente de trânsito no domingo, no qual um ajudante de caminhoneiro que andava de bicicleta acabou morto. Pelo Twitter, Eike respondeu a diversos internautas que atacavam Thor, de maneira bastante agressiva:

Eike Batista, presidente do Grupo EBX: imagem serviu para alavancar empresas, mas também pode prejudicá-las, dizem especialistas
Divulgação
Eike Batista, presidente do Grupo EBX: imagem serviu para alavancar empresas, mas também pode prejudicá-las, dizem especialistas
Um deles, por exemplo, perguntou: "Mas ele não é inocente @eikebatista? Por que tudo isso?", referindo-se ao fato de o empresário ter contratado o ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos para defender Thor. Ao que Eike respondeu: "Só contrato o melhor, algum problema?"

Em outro post, o internauta provocou: "Filhinho do papai tirando onda com carro de corrida... multa e + multa.....". O empresário não perdoou: "O gênio nao tem nenhuma, nao é?"

Há muitas, no mesmo tom, no Twitter de Eike Batista, que tem quase 700 mil seguidores.

Para os especialistas, além de mostrar falta de sensibilidade com a família do morto, o episódio passa a imagem de que o empresário é arrogante, prepotente e destemperado. O pior de tudo, no entanto, é que essa percepção pode atingir também a imagem das empresas do grupo EBX e, no longo prazo, o valor de mercado das que têm capital aberto.

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"Ele é a imagem das empresas: ninguém fala da OSX ou da MPX, mas o estaleiro do Eike, a empresa de energia do Eike", afirma Paulo Roberto Pepe, diretor executivo da Empório da Comunicação e especialista em análise de imagem, que presta serviços para empresas como Volkswagen, Camargo Corrêa, Braskem, Plastivida e Sanofi. "Ele tem muito poder mas essa reafirmação permanente do exercício do poder tende a se tornar um problema corporativo e pessoal. A boa prática ensina que o exercício desse poder deve ser feito sem bravatas e com bom senso."

Para Marcos Hiller, coordenador do MBA de Gestão de Marcas da Trevisan Escola de Negócios, mais do que um empresário, Eike Batista é uma marca mundialmente conhecida. Ele faz questão de alardear a busca por se tornar o homem mais rico do planeta e usa dessa marca e do poder criado em torno dela para se alavancar no mundo dos negócios. Exatamente por isso, deve cuidar dela, do mesmo modo que cuida das marcas das empresas X.

"Ele é pai, mas não deveria ter aceitado os trolls [provocações de anônimos, que tentam ganhar visibilidade por meio dos famosos, atacando-os]", diz Hiller. "Como ele é uma marca tão importante, diante de um momento de crise, ele já deveria estar preparado e bem assessorado."

Uma dessas medidas, diz Hiller, seria fazer uma técnica de SEO reverso. SEO é a sigla em inglês de como aparecer bem nos mecanismos de busca, como o Google. Hoje, quando se digita Eike Batista, a primeira notícia que aparece é a do acidente. Segundo Hiller, para um empresário de tanta importância, com tantos negócios de peso, o acidente deveria aparecer apenas além da segunda página, menos visitada pelos internautas. Como o próprio Eike alimentou as notícias, elas foram parar no topo das buscas.

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"Tudo, nesse caso, foi exagerado e desproporcional: o preço do carro [R$ 3 milhões], a contratação do ex-ministro, a reação do Eike", diz Pepe. "Somado à sensação de impunidade que o brasileiro tem, gerou uma reação e uma torcida negativa ainda maiores, mesmo que o rapaz seja inocente. Em casos como esse, quanto menos dimensão e publicidade se dá, antes de se ter todos os fatos nas mãos, melhor."

Para Pepe, "Eike está dando cada vez mais holofotes onde era necessário a luz pálida, respeitosa de uma tragédia".

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