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A relevância crescente dos países emergentes no cenário econômico mundial está mudando a demanda de executivos e empresas pelo ensino de negócios. No Brasil, essa convicção levou a Fundação Dom Cabral (FDC), escola de educação executiva com mais de 25 mil alunos, a dar uma guinada em seu projeto de internacionalização.

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As parcerias com instituições tradicionais do "primeiro mundo", como a Kellogg School of Management, dos Estados Unidos, e a Insead, na França, continuam, mas o foco agora passa a ser a formação de uma rede de cooperação em países da América Latina e nos "Brics".

"Há muita experiência boa nesses países e a gente às vezes ficava cego a ela", diz Emerson de Almeida, um dos fundadores e hoje presidente da FDC. Desde o início deste ano, ele viaja o mundo acertando os detalhes das novas parcerias, que incluem desenvolvimento de programas e pesquisas em conjunto e intercâmbio de professores e alunos. Universidades na Rússia, Índia e China já fecharam alianças com a escola brasileira. México, Colômbia, Chile, Peru e Argentina também entraram no radar. "Hoje, mais do que nunca, você precisa estar aberto a contribuições."

Segundo ele, a crise acelerou a percepção de que é preciso buscar conhecimento em escolas de negócios de outros países. "Eu vejo escolas e empresas europeias e americanas muito interessadas no que está acontecendo nos países emergentes." A atenção despertada recentemente pode abrir oportunidades também para as escolas de negócios do Brasil. "As escolas de gestão que se empenham pela qualidade atraem interesse e admiração de lideranças de outros países, contribuindo para o fortalecimento da imagem de seus países de origem."

A cooperação com os estrangeiros foi um dos ingredientes da fórmula que levou a Fundação Dom Cabral a ser reconhecida como uma das principais escolas de negócios do País. Este ano, ela foi a única brasileira posicionada no ranking de educação executiva do jornal inglês Financial Times: ocupou o 13º lugar, entre 45 entidades do mundo todo. Fundada em 1976 em Belo Horizonte, como um projeto de extensão em gestão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), tornou-se um verdadeiro empreendimento. Com faturamento de quase R$ 100 milhões, reúne executivos e empresários de cerca de 300 empresas em seus programas.

Boa parte da receita da FDC vem de um modelo de programa "personalizado", ou seja, criado para atender especificamente uma empresa ou entidade. Esses cursos, chamados "in company", respondem por 40% do faturamento da Fundação.

Novos clientes

Os últimos anos têm sido de mudanças na instituição, conta Almeida. A principal delas é a chegada de um novo público, formado por profissionais do governo. "Há uma conscientização de que o setor público precisa adotar determinar práticas que se aproximam das do mundo privado." Segundo ele, o crescimento dos programas para esse público foi de 30% este ano, ante 10% em 2008. A crise financeira global, por sua vez, também trouxe alterações. A queda na procura por programas internacionais, mais caros, foi uma delas, conta o presidente da FDC.

Mas as lições de gestão também mudaram durante - e após - a crise? Algumas sim, responde Almeida, graças à mudança no próprio perfil exigido para os executivos. "As empresas estão procurando hoje pessoas com visão de longo prazo. Empresários mais comedidos e menos vorazes", resume.

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