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Valor da bebida mais que triplicou em 6 anos e atraiu executivos franceses para atuar neste mercado; veja no infográfico quem são os ricaços por trás de grandes marcas

Se a maior parte das pessoas se contenta em ter uma adega recheada de bons vinhos para degustar em ocasiões especiais, os executivos mais ricos da França mostram que o interesse na enocultura pode ir muito além. Por gosto, por status e, principalmente, pela rentabilidade, eles preferem fazer o próprio vinho.

Que o diga Bernard Arnault, quarto maior bilionário do mundo e primeiro da França, segundo a classificação da revista Forbes. O negócio de bebidas de sua empresa, a Louis Vuitton Moet Hennessy, encerrou 2010 com um lucro recorrente de 930 milhões de euros (R$ 2,1 bilhões).

Junto com marcas como Moet, Chandon, Krug e Hennessy, o CEO da LVMH tem em sua coleção o Château d'Yquem – um vinho branco que consta entre os mais caros já vendidos. Em 1986, um exemplar da safra de 1784, com as iniciais de Thomas Jefferson, foi leiloada pela Christie's por US$ 56.588. No Brasil, atualmente, uma garrafa da safra de 2002 custa em torno de R$ 2.700.

Confira o perfil dos novos senhores do vinho:
 A lucratividade do negócio é inegável. O índice Liv-Ex Fine Wine 100, principal benchmark da indústria, que representa o movimento de preço de 100 dos mais procurados vinhos, passou de 100,53 pontos em abril de 2005 para 358,93 pontos em maio deste ano; uma alta de 257%. No mesmo período, o índice acionário americano Dow Jones Industrial Average subiu cerca de 20%

E os incentivos para que grandes executivos entrem no mercado são ainda maiores. Além da alta rentabilidade e dos benefícios fiscais, investir em vinhedos também traz as vantagens do encarecimento no preço das propriedades, que dobra a cada 10 anos.

Em 2008, por exemplo, surgiram rumores de que o bilionário François Pinault, dono da Gucci e rival de Arnault, venderia seu Château Latour, adquirido em 1993 por cerca de 100 milhões de euros. O preço sugerido em reportagens do Sunday Times da época era de 150 milhões a 200 milhões de euros, mas outras fontes apontavam uma quantia superior a 600 milhões. O negócio não só não foi fechado, como Pinault adquiriu, recentemente, o pequeno Château-Grillet, de 3,5 hectares, por cerca de 15 milhões de euros – algo em torno de 4,3 milhões por hectare.

O valor pode parecer descabido, mas não está fora do mercado. Atualmente, para adquirir um hectare na região de Saint-Emilion, na França, é necessário ter mais de meio milhão de euros. O preço chega a triplicar na região de Borgonha.

Embora grande parte dos executivos – especialmente os mais ricos – decida investir em vinhedos já constituídos e de renome, há outros, como o líbano-brasileiro Carlos Ghosn, CEO da Renault e da Nissan, e o co-fundador do grupo Accor, Paul Dubrule, que preferem iniciar uma produção própria, em propriedades herdadas ou sem tradição na produção de vinhos.