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Com união Pão de Açúcar-Carrefour, maior empresa do mundo não seria a líder de seu setor no País nem se comprasse 17 concorrentes

A união entre Pão de Açúcar e Carrefour ainda é apenas uma proposta, mas, se ela se confirmar, já existe uma certeza: o Walmart vai figurar em um longínquo segundo lugar no ranking dos supermercados no Brasil. Não há demérito na posição, mas ela não deixa de ser curiosa. O Walmart é, afinal, a maior empresa do mundo em vendas – e não apenas em seu setor. Atrás dela, nesse quesito, estão portentos como ExxonMobil e General Electric.

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Com US$ 421,8 bilhões em receita em 2010 (ou R$ 675 bilhões, em valores atuais), o Walmart seria o 25º maior País do mundo, à frente da próspera Noruega. Somadas, as receitas de Pão de Açúcar e Carrefour em 2010 foram de R$ 65,1 bilhões (número que inclui os dados da Casas Bahia, agora parte do Grupo Pão de Açúcar). Se o Walmart, que faturou R$ 22,3 bilhões em 2010, incorporasse todas as outras 17 redes de supermercados que compõem o grupo de 20 maiores empresas do setor no País, sua receita seria de R$ 50,65 bilhões, de acordo com as estatísticas de 2010 da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

O Walmart, fundado por Sam Walton, falecido em 1992, e ainda sob o controle dos membros da família Walton – figura fáceis no ranking dos maiores bilionários do mundo elaborado anualmente pela revista Forbes - , assegura a medalha de prata no Brasil a despeito de todo o burburinho que existe em torno de si desde a abertura da primeira loja em solo brasileiro, há 16 anos. O próprio movimento de aproximação entre Carrefour e Pão de Açúcar seria uma tentativa do grupo de Abilio Diniz de frear a sanha dos norte-americanos pela rede francesa .

O Walmart atua no Brasil com nove diferentes bandeiras. Além da marca que leva o nome do grupo, sob a qual estão hipermercados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, as lojas têm ainda as bandeiras Hiper Bompreço, BIG, Nacional, Mercadorama, TodoDia, Maxxi Atacado, Sam’s Club e Bompreço. Desde o desembarque no mercado brasileiro, em 1995, compras e incorporações (como as do Bompreço, em 2004, e da rede Sonae no ano seguinte) elevaram seu número de lojas para as atuais 483 unidades.

A rede está em expansão. Para 2011, o grupo já informou o plano de investir R$ 1,2 bilhão, dinheiro que servirá para a abertura de 80 lojas. Em entrevista recente ao jornal Valor, o grupo reiterou a pretensão de novas aquisições no País.

Mas nenhuma aquisição sozinha daria ao Walmart a liderança do mercado, possível com uma eventual união com o Carrefour. O grupo chegou a cortejar a rede mineira Bretas, mas ela acabou arrematada pela chilena Ceconsud em 2010 por R$ 1,35 bilhão. Chegou a circular a notícia que os norte-americanos tinham outros alvos, a exemplo da rede catarinense Angeloni, a nona maior do País, mas não houve negócio.

Procurado pelo iG , o Walmart informou que não se pronunciaria.

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Fonte: Abras

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