Tamanho do texto

"Para ser competitivo, não há alternativa senão produzir em mercados com custo semelhante", afirma a empresa

A Vulcabras começa em agosto a produzir uma parte de seus tênis Olympikus na cidade indiana de Chennai. Segundo o presidente da empresa, Milton Cardoso, depois de quatro anos, a fábrica pode partir da produção do chamado cabedal, parte de cima do sapato, para o calçado inteiro.

A decisão de comprar uma fábrica na Índia , anunciada em abril, foi uma reação à concorrência dos produtos chineses. "Para ser competitivo, não há alternativa senão produzir em mercados com custo semelhante", afirma Cardoso, que emprega 38 mil pessoas atualmente no Brasil. "O negócio vai se tornando inviável", diz.

O presidente da empresa afirma que, além da mão de obra mais barata, a Índia oferece juros mais baixos para financiamentos e equipamentos mais baratos. Ele conta que pagou, na Índia, US$ 21 mil por uma máquina que produz relevos no cabedal e custa R$ 82 mil no Brasil. Com a linha de produção indiana, mesmo que inicialmente focada apenas nos cabedais, a Vulcabras espera recuperar sua rentabilidade.

Segundo Cardoso, a empresa apresentou em 2010 um resultado quase nulo pela primeira vez em 11 anos. A companhia também já estuda o mercado indiano, para vender futuramente à população local as marcas Olympikus, Azaleia e Dijean. "Por enquanto é só uma ideia, ainda não há um plano", afirma o presidente. Cardoso, que também chefia a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), considera que mantidas as atuais condições, assim como a Vulcabras, muitas empresas devem transferir suas produções para outros países em 4 anos, cortando empregos no Brasil.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.