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Rio Boat Show mostra amadurecimento do mercado brasileiro e espera vender 10% acima do ano passado

Barcos em exposição no Píer Mauá durante o Rio Boat Show
Selmy Yassuda
Barcos em exposição no Píer Mauá durante o Rio Boat Show
Ter um iate ainda não é realidade para a classe média mas já pode ser um sonho cada vez mais ao alcance do bolso dos brasileiros, pelo que mostram os números da Rio Boat Show, feira que acontece até a próxima quarta-feira na capital fluminense. Na 15ª edição, os organizadores esperam fechar o evento com R$ 250 milhões em negócios, o que representa um aumento de 10% em relação ao ano passado. “Isso só nos dias de feira. Por um mês os expositores ainda vendem impulsionados pelo efeito salão”, diz Marcio Dottori, diretor técnico da Boat Show.

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A alta nas vendas de lanchas e iates é um reflexo do bom momento da economia brasileira, especialmente em comparação com a crise pela qual passam as economias de primeiro mundo, e do aumento no número de ricos no país, fenômeno que foi mostrado, por exemplo, no estudo “De Volta ao País do Futuro” , do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas. Com renda maior, aumenta o consumo de bens antes considerados de luxo.

O Brasil é um mercado em crescimento para o setor náutico. Segundo Dottori, o País tem um barco para cada 293 habitantes, muito menos do que em outros países, como Estados Unidos, onde há um barco para cada 23 habitantes, ou na França, onde há um barco para cada 63 habitantes. “Há uma demanda reprimida no Brasil. Além disso, o câmbio está favorável e a Europa está em crise. Com todos esses fatores, o Brasil é atualmente o melhor mercado do mundo para muitos estaleiros”, diz.

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Segundo ele, as lanchas de 7 metros ainda são as mais procuradas pelos brasileiros. “Elas representam cerca de 70% do número de unidades vendidas no Brasil”, diz Dottori. Mas vem crescendo o interesse por lanchas maiores e iates a partir de 40 metros.

Acima da meta

É acreditando nessa tendência que o estaleiro Princess vem apostando suas fichas no mercado brasileiro. Comprado há cerca de três anos pelo grupo LVMH, a empresa vendeu 15 iates no País no ano passado e já alcançou este número em encomendas em 2012. “Nosso objetivo inicial era vender 15 barcos neste ano, mas já revisamos a meta para 23”, afirma Jimmy Stambowsky, responsável pelo marketing da Princess no Brasil.

O estaleiro está apresentando o iate mais caro do Rio Boat Show, o P85, que custa R$ 27 milhões. Segundo Stambowsky, os modelos mais vendidos da empresa têm tamanhos médios, em torno de 50 a 60 pés, sempre de luxo. “Nosso produto é top, não tem nada para a classe média”, afirma. E isso não afasta os compradores. “Desde que chegamos ao Brasil não nos faltaram compradores”, afirma.

Giovanni Luigi, CEO da YachtBrasil
Selmy Yassuda
Giovanni Luigi, CEO da YachtBrasil
Apesar de não ser o mercado de sua empresa, ele vê crescimento do mercado náutico brasileiro, seja pela entrada de novos compradores, ou pela evolução de compra. “Quem teve um barco sempre acaba trocando por outro maior”, afirma. Mas Stambowsky acredita que o barco ainda é um bem muito caro no Brasil. Além de terem um custo de manutenção alto, por causa da necessidade de alugar uma vaga em um iate clube, por exemplo, ainda há as características dos próprios barcos. “Eles são sofisticados no Brasil. Nos Estados Unidos há modelos mais simples, mais acessíveis para a classe média”, diz.

A bola da vez

A YachtBrasil, que representa marcas como a italiana Azumit e a americana Sea Ray, acredita que o Brasil é a bola da vez para o mercado de lanchas e iates. A empresa vendeu nos últimos quatro anos US$ 1 bilhão no Brasil e está cada vez mais otimista em relação ao mercado nacional. “Quem não vender aqui vai quebrar, porque a Europa está quebrada”, afirma o CEO Giovanni Luigi. Além de modelos luxuosos, a empresa traz também lanchas esportivas, que, segundo Luigi, caem bem ao gosto do brasileiro.

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A empresa já produz dois modelos da Azimut no Brasil e até o fim do ano vai passar a produzir outros dois em terras nacionais. Tanto é o ânimo em relação às vendas no País que a empresa também vai passar a fabricar modelos da americana Sea Ray. “No ano passado, nossas vendas cresceram 25% em relação a 2010. Para este ano a expectativa é crescer 32%”, diz o executivo. E ele também concorda que a tendência é a sofisticação do mercado: “Barcos de porte pequeno e médio são os que mais saem, mas os de grande porte estão entrando na compra do brasileiro”, afirma.

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